A eleição em Goiás está hoje como estava em janeiro, fevereiro e março.
Daniel Vilela (MDB) na frente, Marconi Perillo (PSDB) em segundo lugar distante, e Wilder Morais (PL) bem atrás, em terceiro.
Wilder sozinho. Porque o PT, com Adriana Accorsi, empatava; sem ela e com Luís César Bueno, não ameaça ninguém.
É o que mostra pesquisa Diagnóstico concluída na segunda, 22, e divulgada na terça.
Prova dos nove.
Veja a margem de erro deste levantamento.
Veja a margem de erro dos levantamentos relevantes (contêm ironia) já divulgados.
Veja: tudo como antes no quartel eleitoral goiano.
Seis meses do mais do mesmo. Com transição de governo no meio da estrada.
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Dito isso, vou contar uma história. A moral está no fim.
Campanhas de mentira
Uma tese tenta vingar nos bastidores como reação ao favoritismo de Daniel Vilela (MDB) na disputa pelo
governo.
Esta: a eleição em Goiás está aberta.
Junto com ela vem outra: se for pro 2º turno, a derrota de Daniel é certa.
Toda derrota vem com a falta de vitória. Toda eleição está aberta até o fechamento das urnas.
As nuvens de hoje estão sujeitas às tempestades; amanhã é outro dia. Já ouviram falar?
Todo cabo eleitoral mente, e às vezes mente tão completamente, que chega a mentir para si mesmo. Em Pessoa.
Não mudou o cenário. A Diagnóstico atesta o óbvio das ruas.
Essa é a notícia que deveria preocupar os adversários de Daniel.
Também deveriam atentar para o que subliminarmente estão dizendo.
Ao considerarem o “SE Daniel for para o 2º turno”, admitem por conseguintemente que a decisão está mais para ser decidida no 1º, lógico e consequentemente.
E, partindo-se do pressuposto de que Daniel estará no 2º turno, por automático isso que dizem que eles o estão colocando colocam lá. Fazendo campanha, percebem? Campanha aberta ao poder de seu favoritismo.
As pesquisas que os adversários do governador tratam de divulgar nos bastidores, ou publicam disfarçadas de independentes, não batem nem com as outras pesquisas internas que eles próprios cuidam de divulgar de outra maneira, seletiva e reservadamente para ‘provar’ que vão ganhar, certeza.
Como se em política existisse fofoca seletiva. Como se ninguém comparasse discurso e fato.
Tudo vaza. Graças a Deus. Aos jornalistas, principalmente, como estratégia de construção de narrativas. Normal. Os jornalistas que virem para não se enredar no jogo dos comitês.
E vazam aos assessores ansiosos que falam pelos cotovelos da boca miúda. Vazam como fogo amigo, no chumbo trocado com o inimigo.
Os sistemas de futrica em campanha são hilários, incontroláveis, inesgotáveis. Uma maravilha da natureza política humana.
O plano é o zero plano
Daniel é o favorito não só porque as pesquisas o mostram na frente.
E não apenas porque as estratégias adversárias falham.
Ora: não há estratégia adversária, nem ações coordenadas que os qualifique. O plano é não ter plano.
Daniel Vilela é favorito por falta de opção.
Marconi é o mais próximo de um candidato digno de ser chamado como tal.
Mantém ritmo regular de visitas a municípios. Esboça um discurso. Tem mantido constância na mídia, com entrevistas e contatos.
Mas é uma andorinha sozinha tentando fazer um verão.
Não há estrutura paralela de suporte às suas ações pontuais. Nada de braços abertos em outras movimentações.
Aliados reclamam: quando ele vai investir? Quando haverá volume real de campanha?
Mesma reclamação dos que apoiam Wilder Morais: ele não investe em si mesmo.
O raciocínio da plebe, em contrapartida: se não querem gastar nem dar estrutura, por que alguém se habilitaria a trabalhar a favor com o empenho dos contratados pela máquina do governo? De graça? Ricos como são?
O voluntariado de campanha de Marconi e Wilder está alerta.
O tratorar da máquina
Bem e mal, o cidadão sente o governo o tempo todo e em todos os cantos do Estado ao mesmo tempo.
Se o governo vai bem na avaliação, como esperar que a população dê atenção a opositor que no máximo pinga de município em município?
Torcida por levante popular espontâneo não faz revolução.
Prevalece nos gabinetes de pré-campanha o método confiança total na intuição – e na entourage de amadores, os profissionais da bajulação.
Há mais marqueteiros infalíveis hoje em Goiás do que técnicos da seleção e eleitores. Pelo que prometem, outubro vai dar empate geral e irrestrito.
E contra o mais do mesmo do lado dos opositores, há o ranger da estrutura do governo.
A máquina não economiza tratoração.
Estado nomeado e convocado focado na meta da reeleição. Governador com chave do cofre na mão. Governo com avaliação alta. Maior partido do Estado. Maiores chapas de candidatos a deputado federal e estadual. Rejeição baixa. Apoio de Caiado. Ufa!
São públicas e notórias as virtudes em favor de Daniel.
O que faz adversários admitirem, quando fora do personagem Poliana de campanha em causa própria: pra perder, Daniel terá que errar muito.
(Uma variação: Daniel terá de se esforçar muito pra perder esta eleição. Que gera em retorno: se perder, é porque é muito ruim.)
Perda de tempo
O que os adversários chamam de tropeços e dificuldades do governador, até agora, não vai além daquilo que, na prática, jamais conseguiram mudar: o favoritismo de largada do governador.
A simples constatação do favoritismo de Daniel não o torna vencedor. Assim como negar a realidade não ajuda os seus adversários.
Esse tipo de debate está restrito ao mundo da política. Perda de tempo. Enquanto Daniel faz campanha sem parar, os outros patinam na pré.
Se acham que Daniel está errando, não olham pro próprio umbigo.
Não aproveitam as oportunidades.
A base está cobrando alguns acertos internos no governo
Sim. Mas já está se recompondo. Por ora, rebelião contida.
Os últimos dias foram de tropeços, com programas de gestão lançados e questionados?
Ação rápida. Sangria estancada.
Os embates internos de candidatos à Assembleia e à Câmara cresceram e perturbam a paz?
Conversas estão em andamento. As mãos pragmáticas de Caiado e Daniel estão agindo.
Neste ponto, pior para os outros candidatos ao governo, que nem chapas parlamentares robustas têm para precisarem administrar egos e cotoveladas eventuais.
O fígado e o cérebro
Daniel Vilela precisa vencer a si mesmo.
Se não fizer isso, derrotará o seu favoritismo. Simples.
Raciocínio que vale em medida igual aos seus adversários. Simples elevado ao quadrado.
Se não fizerem por merecer, nem milagre os salvará. Deus opera, desde que o fiel faça sua parte.
Uma coisa é cenário. Outra é fato consumado.
O 1º turno está em disputa, e dá o que especular. E tempo para agir.
O 2º turno é obra da imaginação. Se…
As campanhas dos opositores ao candidato do governo andam cheias de tergiversação.
Na inação, culpam todos. Preferem apontar o dedo a corrigir seus erros.
Sobra fígado, falta cérebro. Medo? Incompetência? Anote: ‘desespelho’.
Diria o sábio conselheiro: “Tá faltando “estrategia” a esse povo.”
Assim, sem o acento.
(Se ele ler, vai se lembrar.)
Ta na cara
Já repararam nas peças publicitárias de Daniel Vilela?
Vamos com fé. Seguir em frente. Com segurança.
Precisa desenhar?
Com a não-oposição que tem, e os adversários agindo em seu favor, Daniel segue favorito. Seguro da vitória. Quem sabe, no 1º turno.
Deve rir quando um lado o acusa de usar a máquina. E dizer: olha quem tá falando.
Falem mal, mas só falam dele.
É o retrato do momento da fotografia do futuro.
A história toda até aqui, na moral. O fim dos tempos está próximo.
PS.:
E o PT?
Que PT?
