Você leu a nota do PSDB?
A que parece que fala sobre a pesquisa Real Time Big Data que mostra Daniel Vilela (MDB) em 1º com 38% e o tucano Marconi Perillo em 2º com 22%.
LEIA SOBRE A PESQUISA AQUI:
Daniel Vilela lidera com 40% para o Governo e Gracinha tem 29% para o Senado
Um primor de literatura. Já li quatro ou cinco vezes e recomendo.
É um fluxo de consciência, com final aberto, encontrado nas melhores ficções do gênero.
Sabor tucanice: nem lá, nem cá, legítimo em cima do muro para dizer não dizendo. Ou sabor quermesse: vai para alguém que sabe quem, que conhece quem é o alguém…
Permite infinitas interpretações. Nonsense puro.
Veja:
“…existe uma linha que separa avaliação de governo de pesquisa eleitoral. Quando um instituto cruza essa linha, a régua muda. O destinatário deixa de ser o gestor e passa a ser o cidadão. E o goiano está prestes a tomar a decisão mais cara que existe numa democracia: escolher quem vai mexer com a vida dele pelos próximos quatro anos.”
Isso quer dizer o quê, mesmo? Junte as partes e defina o todo, por favor. Me envie pelo correio.
A cereja:
“Honestidade do entrevistador é uma coisa. Legitimidade da fonte que pesquisa é outra. Pesquisa eleitoral séria precisa das duas.”
A integra vai abaixo, para deleite pessoal de leitores e leitoras abnegados, amantes de filosofias, retóricas e gramática escorreita.
fala ainda que será encaminhada à bancada do PSDB nacional uma proposta para que os institutos relacionem seus contratos com os governos. Em nome da transparência.
Fico imaginando esse critério sendo utilizado nos governos do próprio PSDB em Goiás, quando Marconi era governador.
E fico pensando se não seria salutar que os partidos relacionassem também, em nome da mesma transparência, os nomes dos institutos que usam para balizar suas campanhas e para criticar os institutos que publicam seus dados.
Quem faz as pesquisas do PSDB de Goiás?
E por que, Santa Transparência da Política, o PSDB não cita de forma transparente o nome do instituto que parece criticar – porque nem isso está claro -, e diz transparentemente o eur quer dizer, em vez de filosofar sobre tudo e sobre o nada?
É agir e mostrar transparência igualmente dizer qual a base de suas observações, críticas, sei lá quê. (Repito: isso não tá transparente no texto, que, por outro lado, é uma grandeza de literatura aberta.)
Faz isso com base em outra pesquisa interna? Qual? Ou quais? Por que não as registra e mostra para todos? Por que não age de forma transparente com o que pretende dizer?
Essa nota é irmã siamesa de outra situação recente. A da resposta ao jornal O Popular, quando da notícia de que Marconi recebeu R$ 14 milhões de Daniel Vorcaro, o do Banco Master.
Lembram? A reposta foi que se tratava de “complemento de renda”. Depois soube-se nos bastidores que nem foi Marconi o autor da pérola: foi outro, em seu nome.
Essa nota de agora, sobre a pesquisa Real Time Big Data (se não se trata desta, que o PSDB, em nome da transparência, esclareça, por favor), é assinada por Marconi Perillo.
Em sendo, a nota, de lavra própria dele, cabe a pergunta: Marconi leu antes de assinar?
É uma pergunta sincera, legítima, com benefício da dúvida.
Se Marconi de fato autorizou porque concorda com o que está escrito ali, ou concorda porque foi ele mesmo que redigiu e pronto, o que precisa ser dito é outra coisa: tá fazendo falta na Academia Brasileira de Letras.
Uma outra forma de ler e interpretar (isso, porque a transparência de sentido, objetividade e foco é zero) a nota é: para dizer nada, o PSDB goiano disse muita coisa.
A seguir, a íntegra da nota sabor nonsense.
NOTA OFICIAL — MARCONI PERILLO
Sobre as pesquisas eleitorais divulgadas em Goiás nesta quarta-feira (13)
Toda gestão pública contrata pesquisa. É legítimo. Quem administra precisa medir o que faz, e pesquisar é o modo civilizado de fazer isso. Quem já passou pelo cargo sabe: pesquisar é como o gestor escuta o que a porta do gabinete não deixa entrar.
Mas existe uma linha que separa avaliação de governo de pesquisa eleitoral. Quando um instituto cruza essa linha, a régua muda. O destinatário deixa de ser o gestor e passa a ser o cidadão. E o goiano está prestes a tomar a decisão mais cara que existe numa democracia: escolher quem vai mexer com a vida dele pelos próximos quatro anos. Honestidade do entrevistador é uma coisa. Legitimidade da fonte que pesquisa é outra. Pesquisa eleitoral séria precisa das duas.
Por isso, encaminharei à bancada federal do PSDB uma sugestão de projeto de lei. A proposta é simples: todo instituto, ao divulgar pesquisa eleitoral, deve relacionar publicamente seus contratos com governos, prefeituras, autarquias e empresas estatais dos últimos cinco anos. Quem paga, aparece. O eleitor olha, pesa e decide se confia. Do jeito que está hoje, é impossível pesar. E sem pesar, é impossível confiar.
Imagine, hipoteticamente, um instituto que mantenha contratos com um governo estadual. Imagine que esse mesmo instituto divulgue, no mesmo dia, três pesquisas: para governador, para presidente, para o Senado. E que todas favoreçam nomes apoiados por esse mesmo governador. Imagine ainda que governador e dono do instituto sejam pessoas próximas. Seria razoável pedir ao eleitor goiano que confiasse nesses números sem saber de nada disso?
Pesquisa eleitoral é matéria pública. Não pode virar instrumento. Sem transparência sobre quem sustenta o instituto, ela vira opinião com aparência de ciência — e Goiás merece coisa melhor que isso na hora de decidir o futuro.
Marconi Perillo
Pré-candidato ao Governo de Goiás — PSDB
