O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pressionou diretamente o banqueiro Daniel Vorcaro a repassar recursos para o filme sobre Jair Bolsonaro. As cobranças, reveladas nesta quarta-feira (13) pelo portal Intercept Brasil, ocorreram por mensagens e áudios entre maio e novembro de 2025, período em que Vorcaro aportou R$ 61 milhões na produção.
Segundo as apurações, o dinheiro seguiu para um fundo nos Estados Unidos, controlado por um aliado de Eduardo Bolsonaro. Questionado por jornalistas ao sair do STF, Flávio limitou-se a responder que era “dinheiro privado” e debochou dos jornalistas do portal Intercept, chamando-os de “militantes“.
Parte dos pagamentos transitou pela Entre Investimentos e Participações, empresa vinculada a Vorcaro e mencionada em conversas com o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. A Receita Federal entregou à CPI do Crime Organizado registros que comprovam que o Master transferiu ao menos R$ 2,3 milhões a essa companhia em 2025.
O publicitário Thiago Miranda, que o Intercept identifica como intermediário do contato entre Flávio e Vorcaro, confirmou à colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, ter negociado o aporte de R$ 62 milhões. Disse ainda que a ligação de Vorcaro com o filme não seria pública.
As cobranças
Em 8 de setembro, Flávio enviou um áudio a Vorcaro reconhecendo o “momento dificílimo” do banqueiro; dias antes, em 3 de setembro, o Banco Central rejeitara a compra do Master pelo BRB, mas cobrou pagamentos pendentes: “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”.
Em 22 de outubro, Flávio voltou a escrever que estavam “no limite” e convidou Vorcaro para um jantar com o ator Jim Caviezel, que interpretava Bolsonaro no filme. O banqueiro aceitou e propôs recebê-los em sua casa.
A véspera da prisão
Em 16 de novembro, após troca de mensagens com visualização única, Flávio escreveu: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Vorcaro respondeu com outra mensagem efêmera, e Flávio reagiu: “Amém”.
No dia seguinte, 17 de novembro, a Polícia Federal prendeu Vorcaro no embarque em Guarulhos, no âmbito das investigações sobre fraudes, corrupção e uso de uma “milícia privada”.
A nota de Flávio
Nesta quarta-feira (13), o senador confirmou ter solicitado o patrocínio, mas negou irregularidades: “Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. […] Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem.”.
