A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15), confirma um cenário já conhecido, mas com nuances importantes: a polarização segue dominante na corrida presidencial de 2026. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece na liderança no primeiro turno, com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro consolida-se como principal adversário, com 32%. A distância, embora ainda favorável ao atual presidente, indica um quadro competitivo e sem definição antecipada.
No entanto, é no segundo turno que o cenário ganha maior densidade política. A pesquisa aponta empate técnico entre os dois principais nomes: Flávio Bolsonaro tem 42% contra 40% de Lula, dentro da margem de erro. O dado mais relevante não é apenas a proximidade numérica, mas a mudança de dinâmica: levantamentos anteriores indicavam vantagem mais confortável de Lula, e agora o quadro sugere um ambiente mais aberto e disputado. É um
sinal de erosão relativa da liderança do presidente, já apontado em outras rodadas da Quaest.
Outro ponto central é a redução da rejeição dos dois principais candidatos.
Lula registra 55% de eleitores que dizem não votar nele (queda de um ponto), enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 55% para 52%. A diminuição simultânea indica um eleitorado menos cristalizado na rejeição, o que, em tese, amplia a
margem de crescimento para ambos.
Esse dado dialoga diretamente com outro indicador relevante: 43% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar o voto. Ou seja, quase metade do eleitorado permanece em aberto, o que mantém o cenário fluido e
sujeito a alterações ao longo da campanha.
Apesar da competitividade no segundo turno, Lula mantém vantagem consistente contra nomes da chamada “terceira via”. Contra Ronaldo Caiado, venceria por 43% a 35%; diante de Romeu Zema, por 43% a 36%; e contra Augusto Cury, por 44% a 23%. Esses números reforçam um padrão: fora do eixo principal da polarização, os adversários ainda não conseguem romper o teto eleitoral.
Na prática, isso mantém o desenho clássico: fragmentação no primeiro turno e concentração de forças no segundo, modelo que tem marcado as últimas eleições nacionais.
A pesquisa também evidencia o peso crescente dos segmentos religiosos. Entre católicos, Lula lidera com 43%, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Já entre evangélicos, o cenário se inverte: Flávio tem 43% contra 23% de Lula. O recorte reforça a segmentação do eleitorado e o papel das identidades culturais e religiosas como fatores estruturantes da disputa.
Além disso, há um desafio específico para Flávio Bolsonaro: 45% dos entrevistados avaliam que ele não é mais moderado do que seu pai, Jair Bolsonaro. Isso indica dificuldade de dissociar sua imagem do núcleo político
original, o que pode limitar sua capacidade de expansão para além do eleitorado já consolidado.
O pano de fundo da disputa é o ambiente de avaliação do governo. A desaprovação ao governo Lula subiu para 52%, o maior índice desde agosto de 2025, enquanto a aprovação está em 43%. A percepção econômica também pesa: 50% afirmam que a situação do país piorou no último ano, e 58% avaliam que o Brasil segue na direção errada.
Esses indicadores ajudam a explicar o encurtamento da disputa no segundo turno. Em eleições presidenciais, a avaliação do governo costuma ser variável decisiva e, neste momento, ela atua como fator de pressão sobre o
candidato à reeleição.
A pesquisa Genial/Quaest reforça duas conclusões principais. A primeira: a polarização segue estruturando a disputa, com Lula e Flávio Bolsonaro ocupando o centro do jogo político. A segunda: embora o presidente ainda lidere no primeiro turno e vença adversários fora desse eixo, o segundo turno se mostra cada vez mais competitivo.
Com quase metade do eleitorado ainda aberta a mudanças e indicadores de avaliação do governo em oscilação, o cenário permanece em construção e, como mostram os números, longe de qualquer definição antecipada.
