A Sexta-feira Santa é o único dia do ano em que a Igreja Católica não celebra missa. O Santuário Nacional de Aparecida, maior igreja católica do Brasil e maior templo mariano do mundo, explicou o motivo. Milhares de devotos visitam o local dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, para viver a Semana Santa e a Páscoa.
O padre Jorge Américo, missionário redentorista e prefeito de Igreja do Santuário, disse que a ausência da missa possui um significado profundo: neste dia, os fiéis recordam a morte de Jesus e vivem um momento de luto e reflexão.
“A missa sempre atualiza esse sacrifício, mas, na Sexta-feira Santa, a Igreja opta por não celebrá-la para destacar que Cristo já se ofereceu de modo histórico e real na cruz. É um dia de silêncio, luto e adoração”, explicou.
Nas igrejas, reina o silêncio e a introspecção. Não há cantos festivos nem toque de sinos; os espaços ficam mais simples, sem enfeites.
“É o silêncio da criação diante da morte do seu Senhor – um silêncio litúrgico, espiritual e existencial. A Igreja se une à dor de Cristo e convida os fiéis à contemplação desse mistério”, contou.
A ausência da consagração da eucaristia e dos elementos festivos também tem caráter simbólico.
“Sem consagração, a Igreja vive o jejum eucarístico. Os sinos em silêncio, o altar sem toalhas e a igreja austera refletem o luto pela morte de Cristo”, destacou.
A prática vem dos primeiros séculos do cristianismo. “Já no século IV, há registros de celebrações da Paixão sem missa em Jerusalém. Hoje, esta é uma norma seguida em todo o mundo, com unidade no rito”, afirmou.
Mesmo sem missa, a Igreja realiza a Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, dividida em três momentos: Liturgia da Palavra (leitura da Paixão de Cristo e orações), Adoração da Cruz (veneração do símbolo central da fé) e Comunhão eucarística (com hóstias consagradas na Quinta-feira Santa).
Para os católicos, a morte de Jesus é o centro da fé. A tradição também aponta que, apesar da aparência de vitória da morte, a Sexta-feira Santa representa a vitória da vida. “Cristo oferece a si mesmo pelos pecados da humanidade. É a expressão do amor extremo de Deus e o momento em que se estabelece uma nova aliança, de reconciliação entre Deus e os homens”, afirmou o padre.
“Sem a Sexta-feira Santa, não há compreensão da Páscoa. A cruz revela a gravidade do pecado, a profundidade do amor de Deus e o preço da nossa salvação”, concluiu.
