O pesadelo vivido pelas goianas Kátyna Baía e Jeanne Paolini em 2023, quando foram detidas injustamente na Alemanha por tráfico internacional de drogas, permanece como um marco das vulnerabilidades no sistema de segurança aeroportuária brasileiro. Após passarem 38 dias em um presídio feminino em Frankfurt, as vítimas agora concentram seus esforços na responsabilização jurídica das empresas envolvidas, apontando falhas críticas no controle de bagagens.
O esquema criminoso em Guarulhos
A viagem, que deveria ser um período de férias na Europa, transformou-se em crime quando as etiquetas das malas das passageiras foram trocadas no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). As investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) revelaram que funcionários terceirizados atuavam em um esquema organizado para enviar entorpecentes ao exterior.
Enquanto as bagagens originais de Kátyna e Jeanne desapareciam no sistema, malas contendo cerca de 40 quilos de cocaína seguiam para a Alemanha vinculadas aos nomes delas. O embarque inicial ocorreu no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, mas foi durante a conexão em solo paulista que a fraude foi executada.
Investigação
A prisão em flagrante ao desembarcarem em Frankfurt foi apenas o início de uma batalha por provas. A defesa das brasileiras utilizou imagens de câmeras de segurança e registros do sistema de pesagem para demonstrar a disparidade entre as malas despachadas em Goiás e as interceptadas pela polícia alemã.
Com o avanço do inquérito no Brasil, seis pessoas foram presas suspeitas de integrar a quadrilha de tráfico. O compartilhamento de evidências entre a PF e as autoridades alemãs foi determinante para que a inocência da dupla fosse reconhecida, permitindo o retorno ao país.
Batalha judicial e sequelas
Atualmente, as vítimas pleiteiam indenizações contra a Gol Linhas Aéreas, alegando que a companhia falhou no dever de vigilância e custódia dos pertences despachados. Segundo o casal, o episódio gerou danos psicológicos, emocionais e financeiros irreparáveis.
Em nota a companhia aérea informou que não comenta casos sob análise judicial. Para os especialistas em segurança, o caso das goianas expôs a necessidade de protocolos mais rígidos e monitoramento constante em todas as etapas do despacho de bagagens em grandes hubs aeroportuários.
