Um júri em Los Angeles condenou Meta e Google a pagar US$ 6 milhões (R$ 22 milhões) a uma jovem que afirmou ter desenvolvido dismorfia corporal, depressão e pensamentos suicidas devido ao Instagram e ao YouTube. A decisão concluiu que os aplicativos são viciantes e foram deliberadamente projetados dessa forma, e que as empresas foram negligentes na proteção de crianças. O veredicto, segundo especialistas, pode redefinir o cenário das redes sociais e marcar o começo do fim da era como a conhecemos.
Para a professora Mary Franks, da Universidade George Washington, a era da impunidade acabou. Arturo Bejar, ex-funcionário do Instagram, afirmou que alertou Mark Zuckerberg sobre os riscos para crianças anos atrás. “Deixou de ser um produto que você usa para se tornar um produto que usa você”, disse. Especialistas comparam o caso ao “momento Big Tobacco” das gigantes da tecnologia.
Nos Estados Unidos, as plataformas contam com a proteção legal da Seção 230, que as isenta de responsabilidade pelo conteúdo. A Comissão de Comércio do Senado realizou uma audiência sobre o tema na quarta-feira, e o ceticismo em relação a essa cláusula pode estar crescendo. O presidente Donald Trump, aliado do setor, ainda não saiu em defesa das empresas.
O veredicto pode levar à obrigação de eliminar recursos como rolagem infinita, recomendações algorítmicas e reprodução automática, estratégias essenciais para manter o engajamento. O sucesso das plataformas depende de manter grandes volumes de pessoas online o maior tempo possível para expô-las a anúncios.
Na Austrália, o país já proibiu menores de 16 anos de usar as principais redes sociais. O Reino Unido e outros países consideram medida semelhante, e a decisão reforça os argumentos a favor. A mãe britânica Ellen Roome, que perdeu o filho de 14 anos em um desafio online, faz campanha por mudanças. O Parlamento britânico segue dividido sobre qual ação tomar. Talvez, no futuro, olhemos para este período e nos perguntemos por que deixamos crianças circularem livremente nas redes sociais.
