O estado de Goiás registrou um aumento de 6,4% nas ocorrências de feminicídio e tentativas de assassinato contra mulheres em 2025. Ao todo, 316 mulheres foram vítimas desses crimes no último ano, superando os 297 registros contabilizados em 2024. Os dados constam na terceira edição do estudo realizado pelo Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina (UEL), divulgado em fevereiro.
O levantamento, que utiliza tanto dados oficiais quanto monitoramento independente, aponta que a taxa em Goiás subiu de 8 para 8,5 casos a cada 100 mil mulheres. Embora o crescimento de 0,5 ponto percentual seja um dos menores do país — atrás apenas de estados como Pará e Rondônia —, o índice absoluto de Goiás ainda é superior ao de outras 15 unidades da federação.
Divergência de dados e metodologia
A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) contesta a abrangência do estudo. Segundo o órgão oficial, o estado teve 59 feminicídios consumados e 216 tentativas em 2025. A pasta defende que seus números seguem critérios técnicos auditáveis e baseados estritamente em registros policiais formais, alertando que levantamentos paralelos podem induzir a conclusões equivocadas por utilizarem parâmetros distintos.
Para os pesquisadores, a inclusão das tentativas de feminicídio (que representam 68,9% dos casos nacionais) é fundamental para moldar políticas de prevenção.
O perfil da violência no Brasil
Em âmbito nacional, o estudo identificou 6.904 casos, o maior volume da série histórica. O “feminicídio íntimo” domina as estatísticas: 75,48% dos agressores são parceiros ou ex-companheiros. Outro dado alarmante aponta a falha na rede de proteção: 22% das mulheres mortas já haviam denunciado seus agressores anteriormente.
A vulnerabilidade atinge principalmente mulheres entre 25 e 44 anos (55,7% das vítimas). O impacto social se estende às próximas gerações: em 2025, 1.653 crianças ficaram órfãs no Brasil em decorrência desses crimes, e em 30% dos casos, filhos ou dependentes presenciaram a violência.
Canais de Denúncia:
- 190: Polícia Militar (Emergência)
- 180: Central de Atendimento à Mulher
- 197: Polícia Civil






