A PT de Goiás aguarda Lula pra saber quem será seu candidato a governador.
Lula chamou para ele a decisão.
Lula pediu pesquisa, analisará cenário, pensará a respeito, baterá o martelo.
Seja lá o que fizer, sairá da sua cabeça e do seu coração a decisão final.
Por aqui, vale o que foi votado: Luís Cesar Bueno é o nome, na falta de Adriana Accorsi, a preferida de tudo e todos.
E independente de ser um complô ou não para tirá-la da disputa para deputada federal, abrindo caminho a outros nomes espertos e diligentes.
Adriana decidiu por si: é candidata à reeleição.
Memórias ajudam a decidir. De outras eleições, em que foi estimulada, animada com promessas de apoio geral e irrestrito, e acabou sozinha na pista. Isso, de novo, não – seu respiro.
O processo de indefinição dos petistas goianos é típico da piada interna e externa (adversários) que todos repetem sobre o partido.
Nos últimos dias, o PT tem feito reunião atrás de reunião para decidir sobre a próxima reunião que deveria ser a reunião final sobre o que vai fazer em Goiás, se for eleito e, enfim, puder iniciar reuniões para governar.
A crise de identidade é típica e não é nova, no Estado. Não há uma linha de posicionamento estabelecida na história. Não se reconhece um PT firme sobre a corda bamba das disputas políticas locais.
Ao longo do tempo, o PT faz alianças de acordo com quem está no comando ou com as circunstâncias do calor do momento.
Já esteve com Marconi Perillo (PSDB), quando este era governador, já esteve com o MDB de Iris Rezende e Maguito Vilela, e por último ajudou decisivamente Sandro Mabel na eleição passada para a prefeitura de Goiânia.
Direta ou indiretamente, o PT está sempre mais à disposição do inimigo do que de si mesmo.
Os líderes locais costumam discursar unidos debaixo do chapéu partidário, mas na hora da eleição é cada um por si.
Agora, a não-candidatura de Adriana Accorsi é boa notícia para Daniel Vilela (MDB), que vai à reeleição e apoia Ronaldo Caiado (PSD) para presidente da República contra Lula.
Boa notícia porque, com ela candidata, na leitura das pesquisas, fatalmente a disputa iria para o 2º turno. Sem ela, as chances de Daniel resolver no 1º turno aumentam em números e no imaginário popular.
Daniel tem ainda a possibilidade de, indo para o 2º turno, contar com o braço amigo do PT com ele, sem precisar fazer esforço – seja contra Marconi (que vive renegando Lula e já anunciou que apoiará Flávio Bolsonaro), seja contra o bolsonarista Wilder Morais.
De certa forma, o PT de Goiás já é Daniel Vilela governador.
Como foi Mabel prefeito de Goiânia no 2º turno, sem esforço do governo Caiado/Daniel e sem negociação política alguma com o candidato governista Mabel.
De algum jeito, o PT está sempre beneficiando alguém em Goiás.
No 1º ou no 2º turno, não importa.
O menos beneficiado é o PT, embora alguns petistas, sim. E o único não beneficiado é Lula.
Hoje quem melhor defende Lula em Goiás não é um ou uma petista.
É uma não-petista: Aava Santiago, do PSB.
Ainda tem militante sonhando com um “fecha” de Lula em Adriana até a convenção.
Outros imaginam que a fatura se resolve exatamente com Aava governadora. Ou Aava senadora.
Luís Cesar Bueno é candidato e não é.
O PT é e não é, em Goiás. No fim das contas, não é nada até agora, a não ser confusão interna e indefinição externa.
Lula é a esperança do PT goiano. O PT goiano é a desesperança de Lula.
Na eleição passada, ele obteve 1.542.115 votos no Estado, ou 41,29%.
No País, foram 60.345.999 votos, ou 50,90%.
Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) por uma diferença de 2.139.645 votos.
Goiás tem hoje 5.081.043 eleitores. Tinha, na eleição de 2024, 4.870.354.
O candidato a governador do PT em 2022, Wolmir Amado, somou 243.561 votos.
Goiás é considerado pequeno eleitoralmente. Mas a margem de erro para o PT não é grande. Nem média.
