O PL tem perdido prefeitos e candidatos a deputado federal para a base do governo estadual não é à toa.
Um aspecto negativo na candidatura de Wilder Morais a governador de Goiás está atado a uma das molas mestras das campanhas eleitorais: a perspectiva da mediação política.
Mediação, neste caso, é pragmatismo na veia. Significa que depois, em um eventual governo, o inquilino da Casa Verde vai sentar e conversar, negociar espaços, partilhar o poder, mesmo em parte e contrariado.
Uma liturgia de sustentação política feita de pesos e contrapesos para o bem-estar da governabilidade, mais até do que o bem-estar da população diretamente (em uma visão pessimista ou realista, cada um na sua interpretação).
Ronaldo Caiado, no início do governo, negociou aos trancos. Mas negociou. Negociou na reeleição, para ter o MDB de Iris Rezende e Daniel Vilela, que virou seu vice e cai agora à reeleição.
Com Wilder, a possibilidade de diálogo é menor. Wilder não se move pelos preceitos da liturgia política, e comanda o jogo.
Wilder obedece. Obedece aos preceitos bolsonaristas. À vontade da família Bolsonaro e age segundo esses interesses, acima de tudo e todos.
Porque sua eleição depende disso, e não de si mesmo ou do grupo que o cerca, visto que ele não tem grupo político – não lidera (nem o próprio partido); é parte, apenas.
Em um eventual governo de Wilder, a perspectiva é de que tudo funcione em função da pauta bolsonarista, sem margem de conversação.
Não será ele a mandar no governo, e sim a sua obediência ao interesse de outra instância.
A única defesa dessa premissa é dizer que o bolsonarismo atende ao interesse do povo, portanto Wilder estará atendendo ao povo.
Ocorre que todos os políticos partem e se refestelam nesta mesma premissa, e sabem muito bem como ela funciona na prática.
E é na prática política que eles estão ligados. Na prática, a teoria de como se faz um governo funcionar é outra.
À parte a força gravitacional do governo, há a elementar praticidade da política como ela é no dia a dia. Eleições passam. Governos ficam quatro anos. Ou mais.







