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Disputa pela vice ‘deu certo’ para Daniel. Torcida de que ‘vai dar errado’ é que furou

A disputa pela vice na chapa de Daniel Vilela e o papel decisivo de Ronaldo Caiado no xadrez político de Goiás.

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Luiz do Carmo, José Mário Schreiner e Adriano da Rocha Lima — Divulgação; Reprodução TCE-GO

A disputa pela vice é um dos principais ativos de Daniel Vilela (MDB) nesta campanha.

Cumpre missão sem ter sido estratégia combinada com os russos, como naquela piada de futebol com Garrincha.

Porque nada consta como cálculo feito nas confabulações de corredores do Palácio das Esmeraldas.

Esse embate entre Adriano da Rocha Lima (PSD), Luiz do Carmo (MDB) e José Mário Schreiner veio à tona no processo dos interesses cruzados entre o hoje e o amanhã: a eventual sucessão de Daniel, em 2030.

Daniel vai à reeleição. Caso reeleito, seu vice tem tudo para ser governador por nove meses – ele renunciando para tentar o Senado, por exemplo – e disputar também a reeleição no cargo.

A disputa se estabeleceu. Nos termos: Caiado quer garantir volta; o resto quer abrir espaço.

Espaço político na rearrumação dos grupos de poder em Goiás com o vácuo aberto de lideranças. Para se saber quem vai mandar no pedaço daqui pra frente.

A campanha à parte para a vice ‘veio a calhar’ para a pré-campanha governista e segue criando efeito e resultados positivos.

Tá nas manchetes. Nos podcasts. Nos comentários em rádios e jornais. Tá em todo lugar ao mesmo tempo.

Puxa a atenção e ocupa espaço que poderia estar sendo ocupado pelos adversários. Por debates sobre suas disputas internas, que inexistem.

Não há esse vigor de embate nelas. Impera a paisagem de deserto eleitoral.

A disputa acrescentou a Daniel percepção de perspectiva de poder renovado em outubro: se há disputa por sua vice, é porque a vitória é vista como real e certa.

Por que Daniel haveria de negar esse fuzuê – que seja – que o coloca no pódio?

Ocupando espaço, o tema deu tempo ao tempo a Daniel, que em abril precisava se estabelecer no governo sem contratempos.

O PT, nesse espaço de tempo até aqui, ocupou espaço negativo no noticiário.

O que salta aos olhos dos goianos é a indefinição na escolha de seu candidato a governador. O partido e seus aliados não chegaram ao ponto de colocarem nas notícias uma discussão de vice.

Virá de Anápolis. Será? Será de Goianésia. Sim?

No PSDB, o tema é morno. Poucos falam com base real. Não há nomes. Não há esboço sequer de disputa. De muitos querendo o posto.

Um assunto maltratado. E nada de visibilidade na ocupação de espaço, como ato de comunicação de campanha fortalecida.

Wilder se adiantou na definição, ao anunciar Ana Paula Rezende como vice. Fez isso no embalo da confirmação de si próprio como candidato ao governo.

Autoafirmação dentro do PL, que caminhava para fechar chapa com Daniel Vilela, em articulação de Gustavo Gayer. Seriam Gracinha Caiado e Gayer os candidatos ao Senado dos dois grupos unidos.

Ana Paula, descontente com o MDB – ela o trocou pelo PL -, e Wilder colocaram água nessa história.

Para o senador bolsonarista, a vice foi o ativo garantidor e confirmador de seu projeto. Estrategicamente, fato decisivo na hora certa.

Desde então, Ana Paula faz campanha com entusiasmo. Mais do que ele. E aí o outro lado: Ana Paula ocupou espaço positivo, mas com custo negativo para Wilder, ao escancarar sua “preguiça”.

Wilder como ‘preguiçoso’ é o resultado da maldade interna. O ápice do descontentamento dentro do PL com sua falta de iniciativa para colocar a campanha na rua. Maldade pura, claro. Fogo amigo.

Wilder segue seu instinto. Ou pesquisas. Ninguém sabe direito.

Se tudo der certo, lá na frente o bolsonarismo chega como enchente e o eleva ao alto da disputa.

Ele acredita nisso, enquanto adia pessoalmente danos colaterais como embate com o velho companheiro político Ronaldo Caiado e possibilidade de ver dificultada a liberação de recursos de emendas suas em Brasília.

Mais maldade? Fato: discurso extraído de base. Ruído de aliados. Balas perdidas no espaço desocupado por assunto de campanha active.

O espaço ocupado por Wilder neste momento é o da negação.

Os demais: Daniel topa tudo por reeleição, Marconi vai na fé do contato pessoal com as pessoas (sem approach de campanha), e o PT se perde em incerteza consistente.

A aposta de que Daniel enfrentará problema quando tiver que tirar Luiz do Carmo, ou Adriano, ou Zé Mário da disputa é frágil pelo pragmatismo dos interesses envolvidos.

O futuro em jogo de cada um está amarrado ao futuro deste governo. Romper esse freio de mão não é decisão fácil para nenhum deles.

Há risco de ruptura, mas não há vida fácil fora do governo, e o governo sabe e usa isso.

Parte dessa avaliação – a de que todos são da mesma base e grupo, então vão entender – é de um nome experiente da política goiana, Vilmar Rocha (PSD), não à toa citado nos bastidores como mais um candidato a vice. Ligação histórica com Caiado. Aval total do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab. Cacife, tem.

Só que Vilmar nega. Não faz campanha. Mas põe a cara. Observa. E deixa fluir. Toca a vida.

Não foi Caiado que deu a entender a aliados que nada está definido, que pode ainda surgir um nome sobre o qual ninguém está falando?

Caiado é que vai definir.

Essa a constante de tudo. A regra admitida por Daniel Vilela há muito. Da qual não vai fugir porque depende do apoio de Caiado na reeleição. Jogo combinado explícita e implicitamente.

Não é Daniel sozinho, não é a campanha dos candidatos a vice, não é o inolvidável, o que vai definir essa partida. É Caiado.

Caiado tem uma eleição nacional. Pode projetar que ainda dá jogo uma aliança em Goiás com o PL de Vitor Hugo e Ana Paula. E Gustavo Gayer.

Poder, pode.

Deixar incerto o cenário de vice tem este outro condão.

O de garantir o espaço político de uma negociação, se for o caso. O de não fechar portas. O de manter vivo um elemento de troca. O de criar incerteza para comprar ou vender solução.

A convenção vai resolver isso. Risco de não dar certo? Conversa de sempre. Não fazer nada é risco do mesmo jeito.

Marconi não está fazendo nada aparente. Wilder fez mas não lucrou como poderia. E o PT, nada de nada, até agora.

Daniel administra o Estado, administra os passivos de campanha e administra os ativos.

Administrando bem, tudo bem.

Que cuide para que aquilo que está dando muito certo, de uma hora para outra não comece a dar muito errado.

Depende dele. De sua habilidade e competência. Se se mostrar inábil, o eleitor vai perceber. E cair fora.

Os muito ativos que lutem. Os muito espertos. Os de dentro de sua base e os adversários. Do contrário, perdem.

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