O transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia ocupa o topo do ranking nacional nos quesitos de governança e integração tarifária. O dado integra o Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), levantamento feito pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) em parceria com o Ministério das Cidades. A pesquisa avaliou 21 regiões metropolitanas do país e apontou que apenas Goiânia, Grande Vitória e Recife possuem alto nível de coordenação institucional.
Entre as capitais analisadas, a região metropolitana da capital goiana se sobressai pelo sistema de integração tarifária completa. A gestão da rede conta com uma empresa pública interfederativa, agência reguladora unificada e bilhetagem totalmente integrada. Na prática, o passageiro utiliza um único cartão para realizar até oito viagens com o pagamento de apenas uma tarifa.
O relatório, divulgado pelo jornal Valor Econômico, ressalta que Goiânia figura entre as poucas regiões metropolitanas com recuperação do fluxo de passageiros registrado antes da pandemia de covid-19. Especialistas ouvidos pelo estudo indicam que a estrutura institucional centralizada reduz a fragmentação do serviço, eleva a atratividade do sistema e favorece a atração de novos aportes de capital.
A reestruturação em curso na Nova Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (Nova RMTC) engloba aportes previstos de R$ 1,7 bilhão. O projeto contempla a renovação da frota com 1,3 mil novos ônibus equipados com ar-condicionado, Wi-Fi e câmeras de segurança. O plano inclui também a reconstrução de terminais, a modernização de estações no Eixo Anhanguera e a expansão dos corredores exclusivos.
O valor da passagem permanece fixo em R$ 4,30 desde 2019. A manutenção do preço decorre do modelo de subsídio financeiro mantido pelo Estado de Goiás em conjunto com os municípios da região metropolitana. Em 2025, o repasse governamental para cobrir a diferença tarifária e subsidiar a operação somou cerca de R$ 500 milhões.
A análise do BNDES e do Ministério das Cidades conclui que a união entre governança compartilhada, subsídio público e melhorias estruturais estabelece um modelo de mobilidade de maior eficiência, com potencial de aplicação em outros grandes centros urbanos do país.
