O prédio que abrigou uma das primeiras estruturas de distribuição de energia elétrica de Goiás será transformado no Memorial da Energia do Brasil Central. Localizado na Rua 252, no Setor Leste Universitário, em Goiânia, o imóvel histórico pertence atualmente à EDP e passará por obras de restauração e adaptação.
Construído pela Companhia Energética de Goiás (Celg) em 1956, o edifício preserva parte dos equipamentos usados no controle e na distribuição de eletricidade. O projeto prevê a recuperação da estrutura e a reorganização desse acervo para permitir a visitação pública.
A proposta é apresentar a história da eletrificação de Goiás e do Brasil Central por meio de documentos, máquinas preservadas e recursos tecnológicos. O memorial deverá contar com exposições digitais, experiências de realidade virtual, jogos educativos e atividades relacionadas à ciência, à sustentabilidade e ao uso eficiente da energia.
As obras estão previstas para começar ainda em 2026. Segundo os responsáveis pelo projeto, o contrato tem duração de cinco anos. Durante o período de intervenção, o imóvel poderá receber exposições, seminários e outras iniciativas culturais.
Restauração do imóvel
A restauração deverá preservar as características históricas e arquitetônicas do edifício. Também está prevista a realocação dos equipamentos que permanecem no interior do prédio, atualmente desativado.
De acordo com Wolney Unes, diretor executivo do projeto e representante da Elysium Sociedade Cultural, as intervenções serão realizadas de maneira a conservar a memória do local e permitir sua utilização para atividades educativas e culturais.
A arquiteta Jessica Marques, responsável pela gestão da obra, afirmou que o projeto combinará a preservação do imóvel com recursos tecnológicos e espaços expositivos destinados a diferentes públicos.
A execução ficará sob responsabilidade da Elysium Sociedade Cultural. O projeto será patrocinado pela EDP por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet.
Patrimônio ligado à construção de Brasília
O prédio foi construído para receber equipamentos de controle e distribuição de energia elétrica e teve papel relevante na expansão da infraestrutura energética da região. Segundo o projeto, a antiga Subestação de Goiânia ajudou a viabilizar o fornecimento necessário durante a construção e a inauguração de Brasília.
Após a desativação dos equipamentos originais, no início dos anos 2000, o imóvel passou a sediar o Centro Sociocultural da Celg. A utilização foi mantida até o fim da década de 2010, período marcado pela privatização da companhia e pelo posterior esvaziamento do espaço.
O edifício foi tombado pelo Estado de Goiás em 2009. O reconhecimento abrange o conjunto arquitetônico e os equipamentos técnicos fabricados por empresas italianas e suíças para a Celg na década de 1950.
Com a implantação do memorial, o antigo centro de distribuição deverá ganhar uma nova função pública, voltada à preservação do patrimônio e à divulgação da história da eletrificação do Centro-Oeste.
