A secretária de Estado da Educação de Goiás, Fátima Gavioli, defende a reabertura do debate sobre a possibilidade de reduzir o calendário escolar de 200 para 180 dias letivos. A proposta foi apresentada durante discussões sobre os rumos da educação pública brasileira para o período de 2027 a 2030, que reúnem gestores, pesquisadores e representantes dos poderes Executivo e Legislativo.
Gavioli participa das articulações do Todos Pela Educação e colaborou, como consultora, com o documento Dois movimentos, uma só agenda, divulgado pela organização em abril de 2026. Entre os temas discutidos está a necessidade de avaliar políticas educacionais a partir dos resultados de aprendizagem e das condições de trabalho de professores e estudantes.
“A realidade dos 200 dias letivos não tem se traduzido em evolução real na aprendizagem. E eu questiono: por que não reabrirmos o debate sobre os 180 dias, priorizando também a saúde mental de professores e alunos? É hora de ousar por quem faz a educação acontecer”, afirmou a secretária.
Fátima Gavioli questiona relação entre calendário e aprendizagem
A discussão proposta pela secretária envolve a revisão do calendário escolar e a análise de medidas que possam contribuir para a aprendizagem e o bem-estar da comunidade escolar.
A defesa dos 180 dias letivos, no entanto, envolve uma mudança que precisaria considerar a legislação educacional brasileira. Atualmente, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelece o mínimo de 200 dias de efetivo trabalho escolar para a educação básica, excluído o tempo reservado aos exames finais, quando houver.
Por isso, uma eventual redução exigiria discussão sobre as regras vigentes e sobre os impactos da mudança na organização das redes de ensino.
Trajetória reúne experiência em sala de aula e gestão pública
A participação de Fátima Gavioli nos debates nacionais é respaldada por uma trajetória profissional que abrange diferentes funções na educação pública. A professora é aposentada da rede estadual de Rondônia, onde atuou como docente, diretora escolar, delegada de ensino e coordenadora, antes de assumir funções de gestão na área educacional.
Desde 2019, ela está à frente da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, acompanhando a formulação e a execução de políticas públicas para a rede estadual de ensino.
A experiência em sala de aula e na administração pública é apontada como uma das bases de sua contribuição às discussões sobre planejamento educacional, gestão das redes e melhoria dos indicadores de aprendizagem.
Secretária participou de encontro nacional sobre Educação Básica
Em março de 2026, Fátima Gavioli esteve entre aproximadamente 60 especialistas, gestores e autoridades reunidos pelo Todos Pela Educação, em São Paulo, para discutir propostas para a Educação Básica.
O encontro contou com representantes do Ministério da Educação, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), além de parlamentares e secretários estaduais e municipais.
As contribuições reunidas durante as discussões subsidiaram produções técnicas da iniciativa Educação Já, voltada à elaboração de recomendações para políticas públicas educacionais.
Ensino Médio, financiamento e equidade estão entre os temas
A atuação de Fátima Gavioli nos debates nacionais também envolve assuntos como a implementação da Política Nacional do Ensino Médio, o financiamento da educação, a expansão do ensino profissional e tecnológico e a equidade étnico-racial.
Em 2025, a secretária participou de um painel sobre o novo Ensino Médio. No ano anterior, apresentou a experiência de Goiás durante o seminário Juros por Educação, além de integrar outras discussões promovidas pelo Todos Pela Educação.
A agenda para o período de 2027 a 2030 busca reunir propostas para enfrentar desafios da educação brasileira e orientar a formulação de políticas públicas nos próximos anos.
Nesse contexto, a participação de gestores estaduais contribui para levar às discussões nacionais experiências práticas da administração das redes de ensino e desafios enfrentados pelas escolas públicas.
