O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo americano tenha ajudado o senador Flávio Bolsonaro (PL) a deixar o Brasil e viajar para os Estados Unidos. Segundo ele, a administração de Donald Trump não participou diretamente dos preparativos para a saída do parlamentar, embora o presidente tenha autorizado sua entrada em território americano.
“Não facilitamos nada”, afirmou Rubio durante uma entrevista coletiva em Atlanta, nos Estados Unidos, durante um encontro de ministros das Relações Exteriores do G20. O secretário declarou que as autoridades americanas souberam da chegada de Flávio ao país e que o senador já tinha um visto garantido.
Apesar de negar envolvimento na organização da viagem, Rubio confirmou que Trump determinou que Flávio pudesse entrar nos Estados Unidos caso chegasse a um posto de controle migratório. O parlamentar recebeu autorização de entrada após desembarcar no país.
Trump autorizou entrada de Flávio Bolsonaro
De acordo com Rubio, a decisão de permitir a entrada do senador partiu diretamente do presidente americano. O secretário, no entanto, afirmou que a medida não significou participação do governo na organização do deslocamento desde o Brasil.
A declaração ocorre após questionamentos sobre as circunstâncias da viagem de Flávio e de sua família para Miami, na Flórida. Reportagens da imprensa internacional apontaram que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca e aliado de Trump, teria organizado o jato particular utilizado pelo parlamentar.
Miller admitiu ser responsável pela organização da aeronave, segundo informações divulgadas pelo Metrópoles. O relato amplia os questionamentos sobre a diferença entre a participação de integrantes ligados ao governo americano e o eventual envolvimento institucional da administração Trump.
Como foi a viagem de Flávio Bolsonaro aos EUA
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois do segundo turno das eleições presidenciais. Antes da viagem, o senador havia visitado o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar.
Na ocasião, agentes da Polícia Federal (PF) aguardavam Flávio na saída da residência para comunicar a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de recolhimento dos passaportes pessoal e diplomático do parlamentar.
Apesar da decisão judicial, Flávio seguiu para a Argentina, de onde embarcou em um avião particular em Puerto Iguazú. A aeronave fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de chegar a Miami na manhã de 28 de outubro.
Segundo a Polícia Federal, não foi localizado registro da saída do senador pelos postos brasileiros de controle migratório. A corporação apura as circunstâncias da viagem e o possível descumprimento da determinação judicial.
Deputados democratas cobram explicações do governo americano
A viagem também provocou questionamentos no Congresso dos Estados Unidos. Um grupo de 25 deputados do Partido Democrata enviou uma carta a Marco Rubio solicitando esclarecimentos sobre a possível participação de autoridades americanas na saída do senador brasileiro e na autorização para sua entrada no país.
Os parlamentares querem saber se o governo tinha conhecimento das restrições judiciais impostas a Flávio pelo STF e se houve apoio diplomático, financeiro ou logístico para viabilizar o deslocamento.
A carta também questiona os procedimentos adotados para a entrada do senador e de seus familiares nos Estados Unidos. O grupo estabeleceu prazo até 13 de novembro para receber respostas do Departamento de Estado.
Até o momento, as declarações de Rubio negam a participação direta do governo americano na organização da viagem, mas confirmam a decisão de Trump de permitir a entrada do parlamentar. Os questionamentos sobre a atuação de pessoas ligadas à Casa Branca e as circunstâncias da saída do Brasil permanecem no centro da controvérsia.
