Ronaldo Caiado está em campanha para o governo de Goiás, eleição de 2030.
Em entrevista, ele admitiu que pode disputar o cargo de novo. Não vai se aposentar, garante.
E este foi o ato de largada da campanha.
Nenhuma surpresa.
O que resta a Caiado é entrar em campanha aberta para recuperar o poder que perdeu ao deixar o governo e ser derrotado na disputa para presidente.
A perspectiva de poder é a arma política que ele tem. E Caiado trata de engatilhá-la desde já. Não quer ser excluído do jogo político goiano.
Armado até os dentes da perspectiva da volta ao Palácio das Esmeraldas, o ex-governador mantém-se no horizonte político goiano e pode fustigar (e reagir a) quem se colocar no meio do caminho.
Fica como uma nuvem de tempestade imóvel sobre a cabeça do governador Daniel Vilela.
Neste momento, Daniel monta a sua equipe de governo. E Caiado quer encaixar no mesmo espaço a sua equipe política.
O ex, que não admitia interferência nas nomeações que fazia, tem nomes para indicar e que quer manter em postos-chave do governo.
Gente da sua inteira confiança que precisa acomodar. Gente que ele quer operando politicamente a seu favor de dentro para fora, enquanto ele age de fora para dentro da administração.
No governo atual há a visão de que romper com Caiado não é opção.
Ele e o governador seguem ‘chamando na bota’, expressão que saltou da campanha para eventos da gestão pelo Estado e vídeos feitos sob medida para as redes sociais.
Mas ceder em tudo também não é alternativa, nem será obrigação. Eis o nervo exposto.
Até o final de dezembro, o governo é de Caiado, no sentido de que ele foi eleito para um mandato que termina no último dia do ano.
O tempo de Daniel começa no dia seguinte. De um dia para o outro, as coisas mudam. Vão mudar.
Na virada do ano, vira a relação de comando. Assim entendido, o novo governador é que mandará em tudo, sem deixar dúvida.
Caiado candidato coloca o ex-governador ainda em todas as mesas de eleição abertas ou a se abrirem nos próximos anos.
Eleição de Câmara, de instituições da iniciativa privada, da Assembleia Legislativa, para as prefeituras em 2028.
Em tudo Caiado estará presente, pessoalmente ou subliminarmente. Preparando terreno. Deixando sua marca. Fazendo discurso para colher frutos de apoio em 2030, quem sabe.
Basta querer. Se assim entender importante e necessário.
Sem mandato, sem ministério, sem assento em secretaria, o que Caiado mais tem hoje é tempo.
Tempo para articular. Tempo para fazer política. Tempo para incomodar. Tempo para falar com aliados e para dialogar com antigos adversários.
De posse da perspectiva de poder, Caiado na prática passa a ter poder para ser governo e para ser oposição.
Basta querer. Se assim entender importante e necessário.
Caiado é candidato a prefeito, a governador, a ser eleito e a não ser ignorado. Daniel é governador. Durmam com esse barulho.
