O que é dendrofobia e por que ela ainda influencia decisões urbanas no Brasil

Especialistas apontam que desinformação reforça quedas, riscos e remoções desnecessárias

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Foto: XalD/Wikimedia Commons/CC BY-SA 4.0

O termo dendrofobia significa, literalmente, “aversão às árvores”. Embora possa soar incomum, essa aversão é um fenômeno real nas cidades brasileiras e um dos fatores que explicam o baixo índice de arborização urbana no país. Mais do que um medo individual, a dendrofobia se manifesta na gestão pública e na cultura de parte da população, tratando árvores como um problema ou um item meramente decorativo, e não como a infraestrutura essencial que são.

O que é a dendrofobia na prática?

No contexto urbano, a dendrofobia não é necessariamente um pânico, mas sim uma rejeição ativa ao plantio de árvores fora de locais “controlados”, como parques e praças.

Essa aversão é alimentada por uma série de temores e percepções distorcidas. Um artigo publicado pela Agência Senado aponta os principais receios que levam à rejeição das árvores nas calçadas e ruas:

  • Medo de acidentes: O temor de que as árvores não resistam a tempestades e caiam sobre carros, casas e pessoas.
  • Percepção de “sujeira”: A ideia de que as árvores “sujam” a calçada com a queda de folhas, flores ou frutos.
  • Prejuízo ao comércio: Lojistas que são refratários às árvores por pensarem que elas “obstruirão a fachada” de seus negócios.

Segundo a bióloga Aline Cavalari, citada no texto, essa é uma “visão distorcida” que leva muitos a crer que as árvores prestam um “desserviço” às cidades, quando, na verdade, oferecem um serviço ambiental vital.

O ciclo vicioso da má gestão

Ironicamente, essa aversão às árvores é muitas vezes reforçada pela própria má gestão pública.

O texto aponta que, quando as prefeituras plantam espécies inadequadas para o local ou negligenciam a manutenção, os problemas de fato ocorrem. Por exemplo:

  1. Árvores com raízes superficiais que quebram calçadas.
  2. Árvores com frutas pesadas plantadas sobre estacionamentos, danificando carros.
  3. Árvores altas plantadas sob a fiação elétrica, exigindo podas drásticas (mutilações) ou causando acidentes.

Como aponta a engenheira florestal Ana Lícia Patriota, quando esses danos ocorrem por manejo incorreto, a população “ainda tem a ousadia de culpar a própria árvore”, e não a falta de planejamento. Isso alimenta a dendrofobia e reforça a decisão de não plantar.

A regra de ouro

A superação dessa cultura é um dos objetivos da nova Política Nacional de Arborização Urbana, que incorpora o esquema 3-30-300, considerado pela ONU a “regra de ouro” da arborização urbana. O modelo estabelece três metas simples e verificáveis:

  • 3 árvores visíveis da janela de casa, da escola ou do trabalho;
  • 30% de cobertura de copa em cada bairro;
  • um espaço verde a até 300 metros de onde cada pessoa vive ou trabalha.

Ao estabelecer metas que recaem sobre cada habitante e cada bairro — e não apenas sobre a cidade como um todo — a regra 3-30-300 impede que o poder público se satisfaça com a arborização de áreas mais ricas enquanto ignora as mais pobres. O objetivo é enfrentar a injustiça ambiental, que alimenta a injustiça climática, já que enchentes, ilhas de calor e deslizamentos afetam com maior intensidade a população carente.

Como combater a aversão?

A superação dessa cultura é um dos objetivos da nova Política Nacional de Arborização Urbana. A ferramenta apontada por especialistas, como Ketleen Grala, da Unipampa, é a educação ambiental.

O objetivo é sensibilizar a população e os gestores, mostrando que as árvores não são um problema, mas uma solução. Com planejamento, escolha de espécies nativas corretas e manejo profissional, os benefícios (redução de calor, enchentes, poluição e até da violência) superam amplamente os riscos, transformando o medo em apreciação.

Extra: cidades mais arborizadas segundo o Censo de 2022 do IBGE

  1. Campo Grande (MS) – 91,4%
  2. Goiânia (GO) – 89,6%
  3. Palmas (TO) – 88,7%
  4. Curitiba (PR) – 85,2%
  5. Brasília (DF) – 84,2%
  6. Porto Alegre (RS) – 76,5%
  7. Belo Horizonte (MG) – 75,3%
  8. Cuiabá (MT) – 74,5%
  9. São Paulo (SP) – 66,2%
  10. Porto Velho (RO) – 64,9%

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