Está em clima de torcida organizada a disputa pelo Senado em Goiás.
Escolha sua dupla e curta o show.
Primeiro foi Vanderlan. Ele bem que tentou colar sua imagem à de Gracinha Caiado (UB) já na pré-campanha. Não deu liga.
Passadas as convenções no início de agosto, surgiu o movimento GU-GU. Na pista, Gustavo Mendanha (PRD) e Gustavo Gayer (PL).
A dinâmica: Mendanha abrindo espaço para Gayer no eleitorado governista, e Gayer escancarando as portas para Mendanha no bolsonarismo.
Não é que um não tinha o pé no outro campo. A ação ampliou a oferta e procura por eleitores. Bom para ambos.
O movimento GU-GU incomodou especialmente dentro do governo. Desagradou o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD).
Entre bolsonaristas, virou posicionamento para derrotar Caiado. E Daniel Vilela (MDB), por extensão.
Gracinha Caiado (UB) e Vanderlan Cardoso reagiram a Mendanha, que é também do grupo, apesar da resistência caiadista.
Zacharias, em um primeiro momento, pareceu perdido, jogado pela lateral. Nunca desistiu. Nem cogitou isso.
Em contraponto ao movimento GU-GU, caiadistas passaram a levantar bandeira pela dupla Gracinha & Zaca.
Essa estratégia mirava, de novo, Mendanha. Cercar seu crescimento dentro da base governista passou a ser missão para caiadistas.
O governador Daniel Vilela entrou na luta, para agradar Caiado. Ou não desagradar.
Nas últimas semanas, Gracinha acenou fortemente para o bolsonarismo.
O gesto foi lido como tentativa de conter o desgaste com o bolsonarismo, crescente desde que ela e o marido, Ronaldo Caiado, partiram para criticar Flávio Bolsonaro.
Em evento recente em Anápolis, ela discursou. Dirigindo-se a Gayer, disse que ano que vem estarão juntos em Brasília para votar pautas bolsonaristas.
Só lembrando, Gayer não é da base governista, que tem Mendanha, Zaca e Vanderlan. Mas lidera, com ela, as pesquisas neste momento.
Um jogo arriscado.
Os 4 nomes da base do governo e Gayer compõem um bloco que as pesquisas mais aprofundadas indicam ser de onde deverão sair os dois novos senadores de Goiás.
Nas indicações de voto espontânea, quase 80% dos eleitores não decidiram em quem votar. E quem já decidiu, pode mudar o voto.
Quer dizer que não há favorito na disputa pelo Senado no Estado. Há guerra. E nela, vale tudo.
Depois desse aceno público de Gracinha a Gayer, ficou mais forte o sentimento de que é cada um por si dentro da base do governo. Não é mais algo direcionado apenas a Mendanha. Escalou.
Por pragmatismo, as ações casadas se intensificaram. O movimento GU-GU está mais ativo nas redes e nas ruas. E emerge a nova dupla, Zaca & Van.
Há intensas articulações de bastidores com grupos políticos e partidos variados, oposição ou não, para composições pontuais.
Entre as conveniências que juntam Zaca e Vanderlan está a de que eles buscam os eleitores da esquerda. Do PT.
Líderes petistas já indicaram voto na dupla como arma para derrotar Gracinha, Gayer e Mendanha.
Zaca e Vanderlan entram como escolhas da esquerda para derrotar candidatos da direita em Goiás, especialmente Gayer, o objetivo maior.
Gayer & Mendanha são dois nomes da direita contra os dois da esquerda, Zaca & Van.
Gracinha sobra nas duplas. Não se amarra. Sua estratégia é firmar-se como primeiro voto da direita. E a dos demais é não ficar tão próximos que dependa dela e Caiado.
Os acenos de Gracinha ao bolsonarismo têm esse objetivo. No entanto, isso a coloca em confronto direto com Gayer, este sim o primeiro voto declarado dos bolsonaristas. E aumenta a tensão dessa guerra, em particular.
Mendanha entra na história, junto com Gayer, posicionando-se como segundo voto. E como segundo, também, da base governista.
Hoje a eleição, por sinal, parece mais uma disputa de segundo voto. Como se não existisse primeiro voto. Uma leitura simplória do quadro, que é complexo.
A grande maioria dos eleitores nem sabe que terá de votar em dois nomes. Como definir, então, qual será o primeiro e o segundo voto?
O que vai decidir a eleição é trabalho na reta final. O movimento do voto nos três dias finais de campanha.
A torcida é só parte de uma guerra declarada de todos contra todos.
Na disputa dos 5 mosqueteiros pelo Senado em Goiás, é um contra todos, e todos contra um.
E toca um modão aí.
