O último debate entre os candidatos ao governo de Goiás antes do primeiro turno colocou em discussão saúde pública, contas do Estado, passando por agronegócio, infraestrutura, educação, reforma tributária, tecnologia e funcionalismo. Daniel Vilela (MDB), Marconi Perillo (PSDB), Wilder Morais (PL) e Luis Cesar Bueno (PT) participaram do encontro realizado pela TV Anhanguera na noite desta terça-feira (29), em Goiânia. O programa foi mediado pelo jornalista Luciano Cabral.
A dinâmica foi dividida em quatro blocos, com perguntas entre os próprios candidatos. Parte dos temas foi livre e outra parte definida por sorteio. No encerramento, cada participante teve espaço para apresentar suas considerações finais.
Saúde foi tema recorrente durante o debate
A saúde apareceu em diferentes momentos do encontro, principalmente nas discussões sobre filas para exames e cirurgias, ampliação da rede hospitalar e utilização de unidades particulares e filantrópicas.
Wilder Morais foi questionado por Marconi Perillo sobre as propostas para a área. A conversa passou pela construção de hospitais, regionalização do atendimento e medidas para reduzir o tempo de espera. Também foram citadas propostas relacionadas a parcerias com hospitais privados e entidades filantrópicas.
O tema voltou em outro confronto, quando Wilder questionou Marconi sobre a saúde pública. Os dois novamente discutiram a ampliação da estrutura hospitalar e o uso de vagas da rede particular e filantrópica.
A área também apareceu nas considerações finais, com os candidatos associando suas propostas à redução de filas e à expansão do atendimento.
Agronegócio, água e privatizações entram na disputa
O agronegócio foi tratado a partir de questões como endividamento dos produtores, agricultura familiar, segurança no campo e apoio financeiro ao setor. Wilder Morais levou o assunto para Luis Cesar Bueno, que apresentou sua visão sobre políticas destinadas aos produtores.
Outro eixo de discussão foi a infraestrutura hídrica. Ao responder a uma pergunta sobre a possível privatização da Saneago feita por Luis Cesar Bueno, Daniel Vilela descartou a desestatização e discutiu investimentos em saneamento, obras para garantir o abastecimento de água e a estrutura necessária para expansão do serviço.
A venda da Celg também apareceu no debate, em uma discussão que colocou no centro modelos de gestão pública e privada e os efeitos dessas escolhas sobre serviços considerados estratégicos para o Estado.
No setor esportivo, Daniel questionou Marconi sobre programas de incentivo a atletas, modernização do Estádio Serra Dourada e a realização do MotoGP em Goiás.
Emprego, reforma tributária e situação financeira de Goiás
A economia estadual ocupou espaço importante no debate, sobretudo quando Wilder Morais questionou Marconi Perillo sobre a situação financeira de Goiás.
Entre os assuntos levantados estiveram déficit primário, industrialização, turismo, mineração, incentivos fiscais e os possíveis efeitos da Reforma Tributária. O tema também apareceu em outros momentos, com os candidatos discutindo maneiras de manter investimentos e atividade econômica no Estado diante das mudanças no sistema tributário.
Daniel Vilela também foi questionado sobre geração de emprego e renda por Marconi Perillo. Na resposta, o candidato governista defendeu as ações da gestão estadual, destacando a atuação da agência Invest GO na atração de investimentos, ações de apoio ao agronegócio, qualificação profissional e oferta de cursos voltados à inteligência artificial.
A infraestrutura logística entrou nessa discussão. Wilder e Luis Cesar trataram da duplicação de rodovias, da integração ferroviária e da necessidade de conectar a Ferrovia Norte-Sul aos principais portos do país. Também foi citada a proposta de um Anel Viário de Goiânia.
Educação e tecnologia aproximam debate de propostas para a próxima gestão
A educação foi abordada em mais de uma rodada, com discussões sobre escolas de tempo integral, remuneração de professores, concursos públicos, aposentadorias e recuperação da Universidade Estadual de Goiás (UEG).
Marconi Perillo apresentou propostas voltadas à área e também mencionou programas para estudantes e qualificação profissional. Luis Cesar Bueno, por sua vez, discutiu com o tucano questões relacionadas à estrutura da rede de ensino e à valorização dos professores.
A tecnologia apareceu associada tanto à educação quanto à administração pública. Daniel Vilela questionou Wilder Morais sobre o uso de ferramentas tecnológicas e inteligência artificial. A discussão passou por transformação digital, infraestrutura, produtividade e atração de empresas.
Em outro momento, a inteligência artificial foi relacionada diretamente à Segurança Pública. A tecnologia foi apresentada como ferramenta para auxiliar ações de prevenção e investigação, com menção ao projeto “IA Contra o Crime”.
Transparência e funcionalismo também entram nas discussões
Na reta final do programa, gestão pública, transparência e servidores estaduais ganharam espaço.
Luis Cesar Bueno e Wilder Morais discutiram mecanismos de acesso da população a informações do governo, especialmente nas áreas de Saúde e Segurança Pública. Entre as propostas citadas esteve a criação de uma estrutura centralizada de armazenamento de dados governamentais.
Daniel Vilela e Marconi Perillo, por sua vez, trataram do número de servidores comissionados, realização de concursos, situação de policiais aposentados e política salarial do funcionalismo.
O debate, portanto, percorreu desde políticas sociais e serviços públicos até questões relacionadas à estrutura administrativa e às contas estaduais. A variedade de temas também refletiu as diferentes áreas que os candidatos buscaram associar às suas propostas para o próximo governo.
Considerações finais tiveram críticas e pedidos de voto
No encerramento, os quatro candidatos retomaram pontos apresentados ao longo da campanha e fizeram pedidos de voto.
Wilder Morais concentrou sua fala em segurança, saúde e geração de emprego. Também pediu votos para sua candidatura e para aliados que disputam outros cargos, além de fazer críticas ao PT e ao governo federal.
Marconi Perillo destacou programas como renegociação de dívidas, salário mínimo regional, políticas para estudantes e propostas para a saúde. Também utilizou o espaço para defender sua experiência administrativa e criticar declarações feitas por adversários durante o debate.
Luis Cesar Bueno reforçou seu alinhamento político com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu uma maior aproximação entre o governo de Goiás e o governo federal. Em sua fala, também fez críticas aos demais candidatos e apresentou sua candidatura como alternativa para a administração estadual.
Daniel Vilela encerrou defendendo a continuidade de políticas adotadas na atual administração estadual. O candidato citou ações nas áreas social, de saúde, educação e infraestrutura e destacou sua trajetória política ao pedir votos para a candidatura.
Realizado na última semana antes do primeiro turno, o debate foi o último confronto televisionado entre os quatro candidatos nesse formato antes da votação de domingo (4).
