No dia 1º de outubro de 2022, a TV Anhanguera divulgou pesquisa Ipec mostrando Marconi Perillo (PSDB) na liderança, com 25% das intenções de voto. Ele tinha caído três pontos.
A diferença para o segundo colocado, Delegado Waldir (UB), somava 7 pontos percentuais. João Campos tinha 11%, e Wilder Morais, 10%. O índice de indecisos era de 11%.
Havia uma vaga em disputa. Ninguém dava como definida a eleição, embora a aposta geral fosse de que Marconi seria o eleito. Ou, quem sabe, como surpresa, o Delegado Waldir.
No dia seguinte, o resultado: Wilder Morais eleito com 25,5% dos votos. Marconi obteve 19,80% e ficou em segundo, e Delegado Waldir, com 17,4%, terminou em terceiro.
Eleição de senador não é para amadores.
Este ano, em todos os grupos com candidatos vistos com chance, a disputa também é considerada aberta.
E embora o número de vagas seja o dobro, duas, o bloco dos “com chance real” no mercado das apostas supera em muito a correlação com 2022.
Gracinha Caiado (UB), Gustavo Mendanha (PRD), Vanderlan Cardoso (PSD), Zacharias Calil (MDB) e Gustavo Gayer (PL) estão próximos e embolados.
Na mais recente pesquisa Quaest, realizada entre 20 e 23 de setembro, é de 77% o número de indecisos na espontânea.
Mesmo na estimulada, quando nomes são apresentados, o índice está alto: 22%.
E tem mais isso: 36% dos que responderam ao questionário disseram que podem mudar o voto.
Exatamente.
77% dos eleitores goianos ainda não decidiram espontaneamente o seu voto.
E 36% dos que arriscam indicar um ou dois nomes quando uma cartela é colocada à sua frente admitem que seu voto não é definitivo. Podem muito bem mudar de candidato.
As vitórias e as derrotas estão sendo estabelecidas agora, deste exato momento até a hora derradeira da entrada do eleitor na cabine de votação.
Nada está consolidado. O voto está por ser decidido definitivamente.
Uma ação bem-feita nas ruas, um post bem editado para as redes, a mensagem certa para o eleitor que espera para se definir. Qualquer dessas ações pode ser decisiva.
O chão da fábrica será fundamental. As ruas têm a força. O esforço braçal, bruto e sistemático das campanhas raízes vai pesar. A estrutura que melhor funcionar leva.
A leitura superficial das pesquisas não diz a verdade sobre a disputa pelo Senado porque não diz tudo. É preciso ir nos detalhes.
Como se move na cabeça do eleitor o segundo voto? Quem sabe?
E o primeiro voto, como separar do segundo na hora de pedir e ganhar?
O que as pesquisas mostram hoje é disputa pelo primeiro voto, na prática, com o segundo permanecendo um mistério?
Gracinha e Gayer disputam o primeiro voto, como Lúcia Vânia (PSDB) e Iris Rezende (MDB) disputaram em 2002?
Em 2002, o vencedor, o mais votado, foi o segundo voto: Demóstenes Torres. Temos um cenário hoje como este de ontem?
E quem será o “novo Demóstenes”?
Qual nome emergirá como o preferido de bolsonaristas, caiadistas, marconistas e petistas, para ser eleito campeão de votos no vácuo dos tidos como favoritos e líderes de pesquisas na semana final?
Na disputa direta, Gracinha e Gayer correm o risco de ficar para trás, com outros dois nomes ocupando o espaço e sendo eleitos?
Essa avaliação, por certo, é uma das muitas preocupações do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e do governador Daniel Vilela (MDB), nestes últimos dias que restam de campanha.
Nos últimos dias que gastaram em campanha juntos e empenhados, o esforço dos dois foi para recolocar Gracinha na linha de frente da preferência da base governista.
A campanha para o Senado ganhou escala na aceleração das agendas e na intensidade.
Gracinha, Gayer e Mendanha foram os que mais apertaram o passo. Estão com fogo e sangue nos olhos. Calil e Vanderlan fazem movimentações à parte, mas como sombras.
Calil colou em Gracinha e busca sensibilizar os outros públicos. Vanderlan vai aos municípios cobrar benefícios que levou. Os outros postulantes somem na paisagem da disputa.
Nessa pegada, a proximidade do dia 4, em vez de clarear favoritos, embaralhou mais o jogo.
O mecanismo de decisão de voto do eleitor para o Senado é um mistério a céu aberto em todos os comitês. Cada um tem sua leitura e sua estratégia. Não há consenso.
Pode ser que o eleitor se renda ao discurso. Pode ser que se prenda à polarização nacional. Pode ser que se decida por tudo ao mesmo tempo, ou por razões outras, imprevisíveis.
O imponderável eleitoral faz a festa na mente fértil e delirante dos candidatos e seus assessores.
Se um marqueteiro ou comandante de campanha falar hoje que sabe como ganhar a eleição para o Senado, desconfie. Ele não estará falando de método, mas de aposta no escuro.
Depois dirá que fez tudo certo, seu candidato também; quem fez tudo errado foi o eleitor. Se por acaso seu candidato ganhar, comemorará como se tivesse previsto tudo com bola de cristal.
A eleição para senador de Goiás acontece em campo aberto, e escancarada está a porteira para a vitória.
Todos do bolo principal têm chance.
Na corrida desabalada, basta um tropeço para a derrota chegar primeiro.
A vitória… A vitória é uma corrida desesperada até o dia 4.
