Notas de R$ 5, R$ 20 e R$ 200 deixam de servir para compras e viram matéria-prima para uma exposição gratuita em Goiânia. A mostra “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, será aberta no dia 6 de outubro, às 19h, na Galeria Leo Romano, com a presença do próprio artista.
A mostra será realizada na Galeria Leo Romano e apresenta trabalhos construídos a partir de fragmentos de cédulas brasileiras que foram descartadas pela Casa da Moeda do Brasil. A abertura está marcada para as 19h e contará com a presença do próprio artista.
A exposição poderá ser visitada até 31 de janeiro de 2027.
Cédulas descartadas viram matéria-prima para as obras
A série “Dinheiro Vivo” nasceu de uma experiência de Vik Muniz com a Casa da Moeda.
Durante o contato com a instituição, o artista conheceu o processo de produção das cédulas e descobriu que folhas que apresentam imperfeições são retiradas antes de chegarem à circulação. Esse material é triturado e encaminhado para reciclagem.
Parte desses fragmentos acabou chegando às mãos do artista. A partir de 2022, Muniz passou a utilizá-los para construir imagens e desenvolver a série que agora chega a Goiânia.
O processo envolve a organização dos pequenos pedaços coloridos das cédulas até que eles formem uma nova imagem. Depois da montagem, as composições são fotografadas, dando origem às obras apresentadas ao público.
Assim, o dinheiro deixa de ser apenas um objeto de uso cotidiano e passa a integrar o processo criativo.
Animais brasileiros ganham novas formas com notas de real
Um dos destaques da exposição são as representações de animais que também aparecem nas cédulas brasileiras.
A mostra apresenta trabalhos com mico-leão-dourado, arara, garça, garoupa, lobo-guará e onça-pintada.
Existe, porém, uma particularidade no processo de criação: cada animal foi construído utilizando exclusivamente fragmentos da cédula na qual aquela espécie é representada.
Na prática, isso significa que o lobo-guará foi criado com pedaços da nota de R$ 200, enquanto a garça utiliza fragmentos da cédula de R$ 5.
A escolha cria uma relação direta entre o material usado na obra e a imagem que surge a partir dele.
Paisagens brasileiras também fazem parte da exposição
Além dos animais, “Dinheiro Vivo” apresenta paisagens reconstruídas com os mesmos fragmentos de cédulas.
Os trabalhos fazem referência a representações históricas do Brasil produzidas por artistas viajantes do século XIX.
Entre as obras que estarão em Goiânia estão “Serra Ouro Branco, a partir de Johann Moritz Rugendas”, “Praia Rodrigues, a partir de Johann Moritz Rugendas”, “Dinheiro Vivo: Vista da costa da Bahia, a partir de Johann Moritz Rugendas” e “Lagoa Rodrigo de Freitas, a partir de Franz Keller Leuzinger”.
O próprio conjunto de cores disponível nas cédulas influenciou a produção. Para representar a vegetação das paisagens, por exemplo, o artista precisou trabalhar com os tons de verde encontrados nas notas.
O resultado combina referências da história e da natureza brasileiras com um material bastante familiar ao público: o dinheiro.
Vik Muniz terá duas exposições gratuitas em Goiânia
A passagem de Vik Muniz por Goiânia terá ainda outro destaque.
No dia 5 de outubro, um dia antes da abertura de “Dinheiro Vivo”, o artista participa da abertura de “REVER: imagem e reflexão”, na Vila Cultural Cora Coralina.
A exposição reúne 60 trabalhos produzidos ao longo de três décadas de carreira e também tem entrada gratuita. A abertura está prevista para as 17h.
No dia seguinte, 6 de outubro, Vik Muniz participa da abertura de “Dinheiro Vivo”, na Galeria Leo Romano.
As duas exposições permanecem abertas ao público até 31 de janeiro de 2027.
Galeria Leo Romano também terá obras de outros artistas
A programação na Galeria Leo Romano não ficará restrita à exposição de Vik Muniz.
Nos demais pavimentos do espaço, o público poderá conferir uma seleção do acervo da Nara Roesler, com trabalhos de artistas de diferentes gerações.
Entre os nomes previstos estão Tomie Ohtake, Abraham Palatnik, Daniel Senise, Lucia Koch, Julio Le Parc e Rodolpho Parigi.
Essa programação também será gratuita e poderá ser visitada até 31 de janeiro de 2027.
Quem é Vik Muniz?
Nascido em São Paulo, Vik Muniz é conhecido por criar imagens utilizando materiais pouco convencionais.
Ao longo da carreira, o artista já trabalhou com elementos como chocolate, açúcar, sucata, poeira, linhas, arame, pigmentos e outros materiais para construir imagens que posteriormente são fotografadas.
Seu trabalho também ganhou projeção internacional e integra coleções de importantes instituições de arte.
Entre os projetos mais conhecidos está “Lixo Extraordinário”, realizado com catadores de materiais recicláveis no antigo aterro de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. O projeto também deu origem ao documentário de mesmo nome, indicado ao Oscar de Melhor Documentário.
Serviço: exposição “Dinheiro Vivo”, de Vik Muniz, em Goiânia
Exposição: Dinheiro Vivo – Vik Muniz
Abertura: 6 de outubro de 2026
Horário: 19h
Período de visitação: 6 de outubro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
Local: Galeria Leo Romano, Goiânia
Entrada: gratuita
Presença de Vik Muniz: confirmada para a abertura
Realização: Sesc Goiás
Parceria: Nara Roesler e Galeria Leo Romano
