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O eleitor tardio e a construção do voto

Na reta final, parte do eleitorado talvez não esteja trocando de candidato. Está terminando de decidir os votos que ainda faltam.

ChatGPT Image 23 de set. de 2026 08 18 41 | PortalGO
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Há algumas semanas venho pensando em uma questão aparentemente simples: em que momento o eleitor realmente entra na eleição?

Em O calendário avançou. O eleitor, nem tanto, mencionei uma pesquisa em que 69% dos entrevistados diziam ter pensado pouco ou nada sobre a escolha para presidente. O dado me interessava menos como medida de indecisão e mais como sinal de um descompasso entre o calendário da política e o ritmo das pessoas. A campanha já estava em andamento há algum tempo, mas isso não significava que todos viviam a eleição com a mesma intensidade. Duas pessoas poderiam declarar exatamente o mesmo candidato e, ainda assim, estar em momentos bastante diferentes do processo de decisão. Uma poderia acompanhar política diariamente. A outra poderia simplesmente oferecer a preferência que lhe parecia disponível naquele instante.

Mario Rodrigues Neto acrescentou outra dimensão ao problema em A eleição de 2026 pode estar mais indefinida do que as pesquisas sugerem, ao tratar das elevadas taxas de recusa encontradas nos levantamentos que acompanha. A pergunta que ele levanta permanece relevante: quem são as pessoas que não querem participar das pesquisas e como se comportarão quando chegar o momento do voto? Rodrigues Neto teve o cuidado de não transformar a recusa em prova de desinteresse ou numa espécie de voto oculto. Uma taxa elevada de recusa não invalida automaticamente uma pesquisa bem desenhada, mas pode deixar uma parcela da opinião pública menos conhecida, especialmente se a disposição para responder estiver associada a características relevantes do eleitor.

Depois de observar pesquisas nacionais e estaduais divulgadas nas últimas semanas, comecei a pensar que talvez exista ainda um terceiro problema. Não sabemos apenas menos sobre algumas pessoas que recusam participar. Talvez estejamos simplificando também aquelas que respondem. A divisão entre decidido e indeciso pode esconder estados muito diferentes da formação do voto. O eleitor não necessariamente decide todos os cargos de uma vez, nem todas as preferências que declara possuem o mesmo grau de maturação. Algumas já estão firmes. Outras aparecem apenas quando os nomes são apresentados. Outras continuam abertas a revisão. E há escolhas que, a menos de duas semanas da votação, talvez ainda nem tenham sido efetivamente feitas.

Decidir não é uma coisa só

Passei a pensar a formação do voto a partir de três dimensões diferentes. A primeira é a acessibilidade1, isto é, o quanto uma preferência está disponível na memória do eleitor e pode ser recuperada espontaneamente quando ele é perguntado. A segunda é a cristalização2, que indica o grau de estabilidade dessa preferência e sua resistência à mudança. A terceira é a extensão da decisão3, ou seja, quantos dos cargos em disputa já foram efetivamente incorporados ao processo de escolha. Um eleitor pode ter o voto presidencial altamente cristalizado e, ao mesmo tempo, ainda não ter formado uma preferência para o segundo senador ou para deputado.

Essas dimensões não precisam avançar na mesma sequência ou na mesma velocidade. Um eleitor pode ter o voto presidencial altamente cristalizado, mas não conseguir citar espontaneamente seu candidato a governador. Pode ter escolhido um senador e ainda não ter pensado seriamente no segundo. Pode acompanhar a eleição com bastante interesse e continuar avaliando alternativas. Pode também demonstrar pouco interesse e conservar uma preferência partidária ou pessoal bastante estável.

A pesquisa BTG/Nexus de 21 de setembro ajuda a enxergar a cristalização. Entre os entrevistados que já indicam algum candidato para presidente, 84% dizem que a decisão está tomada e não deve mudar, enquanto 15% admitem que ainda podem mudar. No final de março, 69% afirmavam que a escolha estava definida e 30% ainda admitiam mudança. Como são amostras sucessivas, e não as mesmas pessoas acompanhadas durante meses, não estamos observando trajetórias individuais. Ainda assim, a série é compatível com uma crescente cristalização agregada da escolha presidencial conforme a votação se aproxima.

John Zaller oferece uma chave importante para compreender esse tipo de comportamento. Em The Nature and Origins of Mass Opinion, ele parte da ideia de que as pessoas diferem fortemente em atenção política e de que, ao expressarem uma preferência, recorrem às considerações que estão mais acessíveis naquele momento. As opiniões declaradas não precisam, portanto, nascer de estruturas igualmente estáveis e elaboradas. Jon Krosnick, em Response strategies for coping with the cognitive demands of attitude measures in surveys, chega a um ponto próximo pelo estudo das respostas às pesquisas. Quando responder adequadamente exige esforço cognitivo relevante, o entrevistado pode abreviar algumas etapas de recuperação e integração das informações e chegar a uma resposta considerada satisfatória. É o que ele chama de satisficing. Isso não transforma automaticamente uma resposta estimulada em superficial, mas lembra que responder a uma pergunta e terminar de decidir não são necessariamente a mesma coisa.

Quando a lista de nomes muda a resposta

A dimensão da acessibilidade aparece de forma especialmente clara num conjunto de levantamentos da Real Time Big Data realizados em setembro em estados muito diferentes. O instituto fez perguntas espontâneas para governador, sem apresentar os nomes dos candidatos, e depois repetiu a escolha de forma estimulada, apresentando as alternativas. Essa comparação permite observar uma coisa simples: quantas pessoas conseguem produzir um nome sozinhas e quantas conseguem se posicionar quando recebem o conjunto de opções.

Em São Paulo, a pesquisa Real Time Big Data realizada entre 16 e 19 de setembro encontrou 41% de não sabe ou não responde na pergunta espontânea para governador. Quando os nomes foram apresentados, esse percentual caiu para 3%. Em Minas Gerais, na pesquisa do mesmo instituto e no mesmo período, a diferença foi ainda mais expressiva: 50% não citaram espontaneamente um candidato e apenas 4% permaneceram sem resposta diante da lista.

O mesmo desenho aparece em outras regiões. No levantamento da Real Time Big Data realizado em Santa Catarina entre 12 e 16 de setembro, 56% não indicaram espontaneamente um nome para governador; no cenário estimulado mais amplo, 13% permaneceram em não sabe ou não responde. No Ceará, onde o instituto fez trabalho de campo entre 14 e 17 de setembro, o percentual de não resposta foi de 40% na espontânea e caiu para 3% quando os candidatos foram apresentados.

Goiás oferece uma confirmação interessante por meio de outro instituto e de outra metodologia. A Paraná Pesquisas ouviu presencialmente 1.248 eleitores em 61 municípios entre 8 e 10 de setembro. Na pergunta espontânea para governador, 52,8% não souberam ou não quiseram opinar. Quando a pesquisa apresentou os nomes, o percentual de não sabe ou não opinou caiu para 4,2%.

A comparação ajuda a colocar o problema no lugar correto. Não se trata de dizer que todos esses entrevistados “decidiram” durante a pesquisa. O ponto é outro. Uma coisa é produzir espontaneamente uma preferência. Outra é reconhecer uma alternativa quando o conjunto de candidatos aparece. A distância entre espontânea e estimulada surge em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Ceará e Goiás, pesquisados por institutos e métodos distintos. Isso sugere que a categoria simples de indecisão mistura situações diferentes.

Minas é particularmente ilustrativo porque metade dos entrevistados não fornecia espontaneamente um nome para governador a poucos dias da votação, embora quase todos fossem capazes de se posicionar diante das alternativas. Goiás mostra algo muito parecido. O cenário estimulado pode parecer relativamente organizado, mas isso não significa que todas as preferências ali registradas estejam igualmente acessíveis ou igualmente maduras.

Cada cargo parece ter seu próprio relógio

A discussão muda de nível quando passamos de um cargo para outro. Se as preferências para presidente e governador já apresentam diferentes graus de acessibilidade e cristalização, não há motivo para supor que o restante das escolhas amadureça simultaneamente.

Uma pesquisa da Paraná Pesquisas realizada no Tocantins entre 12 e 14 de setembro, com 1.504 eleitores, permite observar essa diferença. Na pergunta espontânea para governador, 42,7% não souberam ou não opinaram. Quando o tema passou ao Senado, permitindo ao entrevistado mencionar até dois candidatos, a indefinição espontânea subiu para 61,7%.

Em Goiás, o levantamento presencial da Paraná Pesquisas mostra contraste ainda mais forte. Enquanto 52,8% não produziam espontaneamente um nome para governador, 68,8% não citavam espontaneamente nenhum candidato ao Senado, mesmo podendo fornecer duas respostas. No Paraná, outro levantamento do mesmo instituto também encontrou elevada indefinição espontânea na disputa senatorial.

Esses dados recomendam separar duas coisas que facilmente se confundem em 2026. O Senado ganhou grande saliência política, especialmente por causa da polarização nacional e da importância atribuída à composição da Casa. Mas saliência não é sinônimo de escolha concluída. Uma disputa pode dominar estratégias partidárias, entrevistas e debates entre pessoas muito envolvidas com política sem que os dois votos para senador estejam igualmente cristalizados entre os eleitores em geral.

Para Goiás, essa distinção é particularmente importante. A eleição para o Senado ocupa grande espaço na política estadual, mas o levantamento da Paraná Pesquisas mostra que quase sete em cada dez entrevistados ainda não produziam espontaneamente um nome.

O dado não mede a importância que essas pessoas atribuem ao Senado. Mede outra coisa: a disponibilidade imediata de uma preferência. E as duas dimensões não são idênticas.

O segundo voto mostra algo que a pesquisa agregada esconde

A eleição de 2026 oferece uma situação especialmente interessante porque os eleitores escolherão dois senadores. Isso permite observar duas decisões para exatamente o mesmo cargo. Algumas pesquisas apresentam as duas menções de forma agregada. Outras separam primeira e segunda escolhas. Quando essa separação aparece, conseguimos enxergar melhor a dimensão da extensão da decisão.

No Paraná, essa diferença fica muito clara. A Real Time Big Data no Paraná publicou uma distribuição consolidada dos dois votos, útil para mostrar o quadro geral da disputa. Já a Paraná Pesquisas, que ouviu 1.280 eleitores em 57 municípios entre 15 e 17 de setembro, separou explicitamente a primeira da segunda opção. O resultado muda a maneira de enxergar a mesma eleição: a primeira escolha aparece distribuída entre vários nomes, enquanto 41,8% dos entrevistados dizem não ter uma segunda opção.

Outro levantamento da Paraná Pesquisas, realizado em Alagoas entre 18 e 20 de setembro com 1.400 eleitores, encontrou desenho semelhante. Na primeira escolha, a grande maioria se distribui entre os candidatos, brancos, nulos e indecisos. Quando chega a segunda opção, 33,4% afirmam não ter um segundo candidato.

A Real Time Big Data permite observar o mesmo fenômeno por outro indicador no Acre. No levantamento realizado entre 16 e 19 de setembro com 1.600 entrevistados, branco, nulo e não resposta aumentam quando se passa do primeiro para o segundo voto ao Senado. Santa Catarina é útil justamente porque funciona como contraponto. No levantamento do mesmo instituto, a diferença entre as duas posições é muito menor. Isso impede que uma tendência observada no Paraná, em Alagoas e no Acre seja transformada numa regra nacional automática.

Samuel Popkin ajuda a interpretar esse tipo de escolha sem recorrer à oposição simplista entre racionalidade e impulso. Em The Reasoning Voter, ele mostra como cidadãos recorrem a atalhos informacionais quando adquirir toda a informação possível seria custoso ou simplesmente inviável. Partido, reputação, campanha, apoios e outras informações resumidas podem ajudar a reduzir esses custos. Um segundo voto menos estruturado, portanto, não precisa ser interpretado como voto irracional. Pode simplesmente ser uma escolha que entrou mais tarde no horizonte de atenção.Inscreva-se

Em Goiás, a primeira e a segunda escolha organizam os candidatos de maneiras diferentes

Goiás permite avançar um passo além porque dois levantamentos recentes, da Directa e do Goiás Pesquisas, separaram explicitamente a primeira e a segunda escolha para o Senado. Isso permite observar não apenas quanto cada candidato possui no total, mas como as candidaturas se distribuem entre as duas posições.

A Directa entrevistou 1.200 eleitores em 44 municípios entre 9 e 13 de setembro. Gracinha Caiado aparece muito mais concentrada na primeira escolha, com 31,6%, do que na segunda, com 12,6%. Gustavo Gayer também tem participação maior como primeiro voto. Zacharias Calil, ao contrário, apresenta distribuição praticamente simétrica, com 12,7% na primeira posição e 13,2% na segunda. Gustavo Mendanha e Vanderlan Cardoso ganham peso relativo quando se pergunta pelo segundo nome. O dado mais relevante para este argumento, porém, é a abertura da escolha: os que não sabem ou não opinam passam de 11,1% no primeiro voto para 20,2% no segundo.

O Goiás Pesquisas, que ouviu 1.250 eleitores nos dias 14 e 15 de setembro, encontrou percentuais diferentes, mas uma estrutura semelhante. Gracinha e Gayer aparecem proporcionalmente mais fortes na primeira escolha. Zacharias novamente apresenta equilíbrio quase perfeito, com 18,3% na primeira e 18,7% na segunda. Mendanha, Vanderlan e Oséias Varão crescem quando o entrevistado precisa indicar o segundo nome.

O interesse desses dados não está em transformar cada candidato numa categoria fixa. Eles mostram algo mais básico e mais importante: a segunda escolha não reproduz automaticamente a primeira. Há candidaturas mais concentradas no primeiro voto, outras que se distribuem de forma semelhante entre as duas posições e outras que aparecem relativamente mais quando chega a hora de indicar o segundo nome.

Isso também ajuda a tratar com mais cuidado uma hipótese que interessa particularmente à política goiana.

É possível imaginar que, ao pensar nas duas escolhas em conjunto, o eleitor reavalie vínculos partidários, afinidades presidenciais, relações com o governo estadual e combinações entre candidaturas.

Mas refletir mais não conduz necessariamente à substituição do primeiro nome. Na série da Paraná Pesquisas, que agrega até duas menções, Gracinha Caiado passa de 41,0% em agosto para 42,7% em setembro, ao mesmo tempo em que Zacharias Calil e Gustavo Mendanha também avançam. Como existem dois votos, esses movimentos podem coexistir.

A questão mais interessante da reta final goiana, portanto, não é presumir quem perderá quando o eleitor dedicar mais atenção ao Senado. É entender como serão formadas as duplas quando uma parcela maior do eleitorado passar a tratar as duas escolhas como um conjunto. Alguns podem buscar alinhamento político. Outros podem dividir os votos deliberadamente. Outros ainda podem combinar um nome já consolidado com uma segunda candidatura escolhida por partido, proximidade regional, profissão, religião, liderança ou recomendação pessoal.

As pesquisas mostram espaço para essa organização tardia. Ainda não identificam qual desses critérios será predominante.

O voto proporcional e aquilo que ainda ficou para depois

Se diferentes cargos entram na atenção do eleitor em momentos distintos, as eleições para deputado federal e estadual levantam uma pergunta adicional: quando esses votos passam efetivamente a fazer parte do conjunto de decisões?

As pesquisas utilizadas neste artigo não permitem responder isso com a mesma precisão. Seria inadequado afirmar, a partir delas, que a maioria deixa os deputados para a última hora. Mas a própria estrutura da escolha proporcional é diferente. A quantidade de candidaturas é muito maior, a visibilidade individual é desigual e relações territoriais, profissionais, religiosas, partidárias e pessoais podem adquirir importância diferente da observada nas disputas majoritárias.

Em Goiás, por exemplo, o eleitor fará seis escolhas na urna. Estão em disputa 17 vagas de deputado federal e 41 de deputado estadual, além de duas vagas para o Senado, o governo estadual e a Presidência. A pergunta relevante não é por que alguém não conhece em profundidade centenas de candidaturas. É quando a escolha proporcional passa a ocupar sua atenção e quais informações utiliza para resolvê-la.

É justamente nesse ponto que Popkin se torna especialmente útil. O eleitor não precisa conhecer detalhadamente a trajetória de dezenas de candidatos para tomar uma decisão compatível com seus critérios. Pode recorrer ao partido, à atuação no município, à indicação de uma liderança, à profissão do candidato, à recomendação de alguém próximo ou à associação com outras candidaturas. Se escolhas majoritárias já apresentam graus diferentes de acessibilidade e extensão da decisão, torna-se especialmente interessante investigar em que momento os votos proporcionais entram de fato no horizonte de atenção.

A reta final não é feita apenas de conversão

Talvez seja aqui que a ideia do eleitor tardio precise avançar. Normalmente interpretamos as últimas semanas de uma eleição olhando para conversão. Queremos saber quem abandonou um candidato, quem recebeu os votos de outro e para onde irão aqueles que ainda se dizem indecisos.

Existe, porém, outro processo possível: a formação tardia da escolha. Na conversão, o eleitor substitui uma preferência que já existia. Na formação, ele chega a uma decisão sobre um cargo para o qual ainda não havia construído uma preferência suficientemente definida. Os dois movimentos podem alterar a fotografia eleitoral, mas não representam o mesmo fenômeno.

O conjunto dos levantamentos analisados ajuda a enxergar essa diferença porque cada grupo de pesquisas ilumina uma parte do problema. Os levantamentos da Real Time Big Data em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Ceará, somados à pesquisa da Paraná Pesquisas em Goiás, mostram como a resposta muda quando o eleitor deixa de precisar produzir sozinho um nome e passa a escolher entre alternativas apresentadas. Os estudos do Paraná Pesquisas no Tocantins, Paraná e Alagoas mostram que diferentes cargos e até duas escolhas para o mesmo cargo podem estar em estágios distintos de formação. O Acre aponta na mesma direção por outro desenho de pergunta, enquanto Santa Catarina serve de contraponto. E Goiás permite observar algo que interessa especialmente a quem acompanha a política local: primeira e segunda escolhas para o Senado podem organizar as candidaturas de maneiras bastante diferentes.

Nada disso torna as categorias de decidido e indeciso inúteis. Elas continuam importantes. O problema é tratá-las como se esgotassem a formação da preferência. Uma escolha eleitoral pode ser mais ou menos acessível, mais ou menos cristalizada e mais ou menos completa. Essas três propriedades podem caminhar juntas, mas não precisam.

No artigo anterior, escrevi que o calendário da política havia avançado e o eleitor ainda não. Talvez agora estejamos entrando em outra etapa. O eleitor tardio começa a chegar. Só que ele não chega necessariamente trocando um candidato por outro. Em muitos casos, pode estar fazendo algo bem mais simples e eleitoralmente decisivo: terminando de decidir os votos que havia deixado para depois.

Referências bibliográficas

KROSNICK, Jon A. “Response Strategies for Coping with the Cognitive Demands of Attitude Measures in Surveys”. Applied Cognitive Psychology, v. 5, n. 3, p. 213-236, 1991.

POPKIN, Samuel L. The Reasoning Voter: Communication and Persuasion in Presidential Campaigns. Chicago: University of Chicago Press, 1991.

RODRIGUES, Leandro. “O calendário avançou. O eleitor, nem tanto”. Substack, 1 set. 2026.

RODRIGUES NETO, Mario. “A eleição de 2026 pode estar mais indefinida do que as pesquisas sugerem”. Substack, set. 2026.

ZALLER, John R. The Nature and Origins of Mass Opinion. Cambridge: Cambridge University Press, 1992.

Pesquisas e fontes eleitorais consultadas

BTG Pactual/Nexus. Eleições 2026: Presidente, 15ª Rodada. Pesquisa nacional com 2.006 eleitores. Campo de 18 a 20 de setembro de 2026. Registro TSE BR-00485/2026.

Real Time Big Data. Pesquisa Estadual São Paulo. 2.000 entrevistas. Campo de 16 a 19 de setembro de 2026. Registro TSE SP-07495/2026.

Real Time Big Data. Pesquisa Estadual Minas Gerais. 2.000 entrevistas. Campo de 16 a 19 de setembro de 2026. Registro TSE MG-07331/2026.

Real Time Big Data. Pesquisa Estadual Acre. 1.600 entrevistas. Campo de 16 a 19 de setembro de 2026. Registro TSE AC-01699/2026.

Real Time Big Data. Pesquisa Estadual Santa Catarina. 1.600 entrevistas. Campo de 12 a 16 de setembro de 2026. Registro TSE SC-00866/2026.

Real Time Big Data. Pesquisa Estadual Ceará. 1.600 entrevistas. Campo de 14 a 17 de setembro de 2026. Registro TSE CE-04380/2026.

Real Time Big Data. Pesquisa Estadual Paraná. 1.600 entrevistas. Campo de 11 a 15 de setembro de 2026. Registro TSE PR-00532/2026.

Paraná Pesquisas. Pesquisa de Opinião Pública: Estado de Goiás. 1.248 eleitores em 61 municípios. Campo de 8 a 10 de setembro de 2026. Registro TSE GO-03096/2026.

Paraná Pesquisas. Pesquisa de Opinião Pública: Estado do Paraná. 1.280 eleitores em 57 municípios. Campo de 15 a 17 de setembro de 2026. Registro TSE PR-01022/2026.

Paraná Pesquisas. Pesquisa de Opinião Pública: Estado do Tocantins. 1.504 eleitores em 75 municípios. Campo de 12 a 14 de setembro de 2026. Registro TSE TO-08578/2026.

Paraná Pesquisas. Pesquisa de Opinião Pública: Estado de Alagoas. 1.400 eleitores em 56 municípios. Campo de 18 a 20 de setembro de 2026. Registro TSE AL-05775/2026.

Directa Pesquisas. Pesquisa eleitoral para Governo e Senado em Goiás. 1.200 eleitores em 44 municípios. Campo de 9 a 13 de setembro de 2026. Margem de erro de 2,83 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registro TSE GO-09444/2026. (Tribuna do Planalto)

Goiás Pesquisas. Pesquisa eleitoral para Governo e Senado em Goiás. 1.250 eleitores. Campo de 14 e 15 de setembro de 2026. Margem de erro de 2,77 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. Registro TSE GO-03825/2026. (Mais Goiás)

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