A Comissão Especial de Inquérito (CEI) dos Fios Soltos, da Câmara Municipal de Goiânia, apontou falhas na fiscalização e no controle da fiação instalada nos postes da capital e pediu o indiciamento do presidente da Equatorial Goiás, Lener Silva Jayme. A medida consta do relatório final dos trabalhos e tem entre os principais pontos de análise a morte da adolescente Nathaly Rodrigues do Nascimento, de 17 anos.
Nathaly morreu em setembro de 2025 depois de ser atingida por uma descarga elétrica provocada pelo rompimento de um cabo energizado durante um temporal. Para a comissão, o episódio expôs problemas que vão além de uma ocorrência isolada e estão relacionados à forma como a rede aérea é administrada e fiscalizada em Goiânia.
O relatório foi encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Civil. A CEI também solicitou providências da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
Comissão questiona controle sobre os postes
Um dos argumentos utilizados pela CEI para pedir o indiciamento é que a Equatorial, responsável pela administração dos postes, possui atribuições relacionadas ao uso compartilhado da estrutura.
Segundo o relatório, a concessionária recebe pela utilização dos postes por outras empresas e, por isso, deve acompanhar a ocupação da infraestrutura, analisar projetos, fiscalizar instalações e adotar medidas diante de irregularidades.
A comissão afirma ter identificado uma diferença entre a existência de notificações e a efetiva retirada de situações consideradas de risco. O documento aponta que o processo não estaria sendo concluído de maneira suficiente para impedir a permanência de cabos irregulares.
O relatório também atribui responsabilidade às empresas de telecomunicações. Elas, segundo a CEI, devem manter os cabos dentro dos padrões técnicos e retirar estruturas que estejam sem uso ou fora das regras de instalação.
Outro problema identificado foi a atuação de empresas clandestinas e a dificuldade de controle sobre equipes terceirizadas que realizam serviços nos postes.
Morte de Nathaly
O caso da adolescente foi um dos episódios considerados pela comissão ao investigar a situação da fiação em Goiânia.
Nathaly morreu em 23 de setembro de 2025, depois de entrar em contato com um cabo de alumínio energizado que havia se rompido. A ocorrência aconteceu em uma rua alagada durante o temporal.
A mãe da adolescente, Daiane do Nascimento, afirmou que o resultado da CEI trouxe expectativa de responsabilização pela morte da filha.
“Estamos vendo que vai ter justiça. Tem que ter justiça”, disse.
A família contesta a ideia de que a morte tenha sido apenas uma fatalidade e sustenta que havia condições que poderiam ter evitado o episódio.
No mesmo caso, o operador de máquinas Wil Robson dos Reis também recebeu uma descarga elétrica. Ele sobreviveu e sofreu queimaduras de segundo grau.
Três funcionários da Equatorial foram indiciados pela Polícia Civil por homicídio culposo pela morte de Nathaly e por lesão corporal culposa em relação aos ferimentos sofridos por Wil Robson.
Relatório será levado a outras investigações
O pedido de indiciamento apresentado pela CEI ainda será analisado pelas autoridades responsáveis pelas investigações. Cabe ao Ministério Público avaliar os elementos reunidos pela comissão e decidir sobre eventuais medidas na área criminal.
O presidente da CEI, Coronel Urzêda (PL), afirmou que os vereadores também encontraram divergências entre informações apresentadas durante os depoimentos e elementos obtidos posteriormente pela comissão.
Um dos pontos questionados foi o suposto atendimento prestado à família de Nathaly após a morte da adolescente. Urzêda contestou a versão
