A gestão da saúde pública concentrou os principais confrontos do terceiro bloco do Debate Mais Goiás 2026, realizado nesta quinta-feira (17). Daniel Vilela (MDB) e Marconi Perillo (PSDB) trocaram acusações sobre a construção e a entrega de hospitais e policlínicas, transformando o histórico das administrações estaduais em tema da disputa eleitoral.
O bloco também abriu espaço para discussões sobre infraestrutura, contratação de leitos na rede privada e a participação de uma empresa ligada a Wilder Morais (PL) na construção do prédio adquirido pelo Estado para receber o novo Hospital de Urgências de Goiás (Hugo).
Daniel e Marconi disputam legado da saúde
Marconi iniciou o bloco ao questionar Daniel sobre a estrutura da saúde estadual, incluindo hospitais, policlínicas e unidades de educação profissional.
Em resposta, Daniel afirmou que a atual gestão ampliou a presença dos serviços de saúde no interior. Ele citou unidades em Goianésia, Formosa, Posse, Quirinópolis e São Luís de Montes Belos.
O governador também declarou que os leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), anteriormente concentrados em três municípios, passaram a ser oferecidos em 22 cidades. Segundo Daniel, a quantidade de leitos aumentou de 220 para 780.
Marconi contestou os números e a autoria das entregas apresentadas pelo adversário. O tucano acusou o atual grupo governista de modificar os nomes de estruturas iniciadas em suas administrações, como os antigos Institutos Tecnológicos do Estado de Goiás (Itegos), posteriormente transformados em Escolas do Futuro.
“Vocês mudaram nomes. Vocês não fizeram nenhuma policlínica”, declarou Marconi.
Daniel rebateu ao citar o Complexo Oncológico de Referência do Estado de Goiás (Cora) e o Hospital Estadual de Águas Lindas. O emedebista atribuiu a conclusão dessas unidades à atual administração e acusou Marconi de ter atuado contra a implantação do Cora.
A discussão terminou com acusações mútuas de mentira. Marconi pediu direito de resposta, mas a solicitação foi negada pela comissão responsável pela análise dos pedidos durante o debate.
Investimentos em infraestrutura também geram divergência
Daniel escolheu Luis Cesar Bueno (PT) para discutir infraestrutura. O candidato petista associou parte das dificuldades econômicas enfrentadas por Goiás à precariedade das condições de transporte, especialmente nas regiões mais distantes dos principais centros.
Luis Cesar destacou investimentos realizados pelo governo federal em rodovias e mencionou intervenções nas BRs 020, 060 e 153, além da Ferrovia Norte-Sul.
Daniel respondeu com uma lista de obras estaduais, principalmente no Sudoeste goiano. Entre os municípios citados estão Chapadão do Céu, Mineiros, Jataí, Creúna, Turvelândia, Quirinópolis, Rio Verde, Montividiu e Paraúna.
O confronto expôs uma disputa frequente na campanha: a tentativa dos candidatos de atribuir aos respectivos grupos políticos a responsabilidade pelos investimentos realizados no estado.
Wilder e Marconi defendem contratação de leitos privados
A saúde voltou ao centro do debate quando Wilder escolheu Marconi para responder sobre o atendimento à população. O candidato do PL defendeu a contratação de hospitais privados para reduzir as filas do Sistema Único de Saúde (SUS).
Marconi afirmou que também pretende recorrer a leitos privados e filantrópicos quando a rede pública não conseguir atender à demanda. O tucano prometeu ainda modificar o sistema de regulação e devolver aos servidores o controle do Instituto de Assistência dos Servidores Públicos de Goiás (Ipasgo).
Na réplica, Wilder citou emendas parlamentares destinadas à saúde durante seu mandato no Senado e voltou a apresentar o setor como uma das prioridades de sua candidatura.
Construção do prédio do novo Hugo
No último embate do bloco, Luis Cesar questionou Wilder sobre as críticas feitas por Ronaldo Caiado e sobre a participação de sua construtora na obra do imóvel adquirido pelo governo estadual para receber o novo Hugo.
Wilder confirmou que a empresa foi responsável pela construção do prédio, mas negou qualquer participação na negociação posterior entre os proprietários do imóvel e o Estado.
“Nós somos a construtora do prédio”, afirmou. Segundo o candidato, a empresa foi contratada apenas para executar a obra e não participou das decisões envolvendo a venda do imóvel.
O terceiro bloco consolidou a saúde como uma das principais frentes de confronto da campanha ao governo de Goiás. Além das propostas para o setor, os candidatos passaram a disputar a autoria de obras e o legado das administrações que comandaram o estado.
