Dezenas são os candidatos a deputado federal na largada, 33 os que são vistos com condições reais de vitória, e 17 os que serão eleitos.
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Surpresas aparecem, mas na qualidade de exceções à regra.
Por conta própria, e com a ajuda de quem entende de eleição em Goiás, no final deste texto está uma lista com projeção de quem tem mais condições de ser eleito em outubro.
A regra não permite precisão por antecipação. A relação dos eleitos só será conhecida com o número exato de votos válidos. Depende deles.
Numa dessas, pode ser que o candidato com mais votos de uma chapa, em comparação com outro, de chapa diferente, fique fora. Já aconteceu. Tem tudo para acontecer.
Muitos ficaram pelo caminho. Eram favoritíssimos. Não resistiram ao calor do cerrado.
Exemplo emblemático é Pedro Sales, ex-homem forte do bem avaliado e extinto governo Ronaldo Caiado (PSD).
Outros resistem apesar das chances miúdas. E há aqueles que inspiram outro tipo de dúvida: até onde vão?
Campanha para deputado é luta braçal sem trégua. Cara e trabalhosa.
Por mais preparados que estejam, mesmo os que nadam em estrutura, penam no pasto e na chapada campeando eleitor.
Bruno Peixoto (União Brasil) faz a campanha mais espalhafatosa do Estado para deputado federal, em número de apoiadores e tempo.
Incomparável, na avaliação de experientes organizadores de candidaturas. Bruno Peixoto, resumem, está há quatro anos em ritmo de última semana, no custo e na ação.
Fez e faz tudo a partir de uma trincheira privilegiada: a presidência da Assembleia Legislativa (Alego), que só de comissionados emprega mais de 6 mil pessoas. Um luxo.
Pelo que investiu nos últimos anos, concluem: se Bruno Peixoto tiver menos de 500 mil votos, terá sido a eleição com custo-benefício político menos rentável da história de Goiás.
Sua meta: ser candidato a prefeito de Goiânia. Ou a governador. Ele pensa alto e investe proporcionalmente à altura do seu sonho.
Para outros candidatos a deputado, falta gente no apoio e na frente de trabalho. Apoiadores são cooptados, militantes ficaram raros no mercado.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes Goiânia, dia 10, o candidato a senador Zacharias Calil (MDB) contou: militante, mesmo que pago, virou mão de obra escassa. Disputada.
Eleição para deputado federal tem regras estabelecidas e características próprias. Idiossincrasias, ou seja: particularidades que definem derrotas e vitórias nos detalhes.
O cerco se fecha na reta final. Não há governo que dê jeito, nem grupo que materialize votos do nada. É cada um por si. Na agonia da chegada às urnas, fase atual, vira briga de foice.
A fidelidade a candidatos a governador é uma das mortes prematuras da campanha de deputado. Caem por terra também a coerência com candidatos a deputado estadual ou a senador do próprio partido, as alianças e a ideologia.
Quem tem mais dinheiro leva vantagem. Mas só dinheiro não ganha eleição. O time, o posicionamento acertado, os recursos para o sprint final e a estratégia são essenciais.
Campanha no rumo errado é campanha perdida antes da hora. Sem os coordenadores que seguram as pontas soltas nos últimos dias, desmorona.
CONTA DE DOIDO
A definição dos eleitos tem a ver com os votos válidos na urna, os quocientes eleitoral e partidário e as sobras.
O quociente eleitoral é calculado a partir do número de votos válidos e da quantidade de cadeiras em disputa.
O quociente partidário define a quantidade de cadeiras obtidas pelo partido ou federação. As sobras são a repescagem.
Pedi à IA para fazer uma simulação. Está no final deste texto um extrato dessa confusão. Para se ter uma ideia.
Já a lista abaixo não tem nada de IA. Tem coração e conhecimento acumulado. Sola de sapato e cara a cara com o povo.
A percepção de chance de cada listado varia de acordo com observações pessoais do cenário.
Entram nessa avaliação:
- o desempenho do candidato na campanha — seu trabalho em campo, sua habilidade na consolidação das bases;
- a força do partido ou federação — vai alcançar o quociente?;
- as chances de o candidato chegar à frente de seus concorrentes internos — porque a vitória precisa ser externa, nas urnas, e interna, na vantagem sobre os votos dos companheiros de disputa.
Junto de cada partido relacionado, está uma outra anotação, entre parênteses: a previsão de quantos conseguirá eleger.
Questões de ordem.
A) São duas eleições em uma. Há, na prática, duas disputas: nos votos e nas sobras.
B) PL e PSD têm as previsões mais divergentes. O número de eleitos pode mudar.
C) PL: pesa a dificuldade de se calcular o efeito bolsonarismo e se isso impactará na escolha de deputados.
D) PSD: a dúvida recai no tamanho do empenho de Ronaldo Caiado na reta final para entregar deputados ao partido e ao seu vice e presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. A desistência de Pedro Sales não caiu bem. Recentes demissões na Secretaria da Educação pelo governo de Daniel Vilela (MDB), com alvo certo na ex-secretária Fátima Gavioli, candidata de Caiado, chamam a atenção. Como Caiado e Daniel vão se resolver?
E) O PSB acredita que elege não apenas um, mas dois deputados. Mas a recente desistência da candidatura de Cláudio Meirelles indica o contrário. A chapa é sustentada na força eleitoral da vereadora Aava Santiago, de Goiânia. A pressão sobre ela para votação pessoal acima dos 150 mil votos cresceu. Virou pressão. Ela, no entanto, diz que nada mudou.
F) Humberto Teófilo, no Novo, é tido como incógnita. Uma possível sobra de herança para os outros. Em especial para UB/PP e PL.
G) O número final de votos válidos, vale reforçar, tem poder para desequilibrar essa conta com as sobras. Para mais, para menos e para desespero geral.
As sobras são um pesadelo hoje ou a salvação do mandato amanhã.
Por último, e em repetição de quesito: a lista é fruto de apuração e prospecção, não é adivinhação com bola de cristal, nem resultado de vozes na cabeça. Os entendedores entenderão. A campanha está em curso. Jogo jogado.
33 NOMES PARA 17 VAGAS NA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Republicanos — (1)
Marussa Boldrin
Lêda Borges
Ricardo Quirino
PT — (2)
Adriana Accorsi
Rubens Otoni
Delúbio Soares
Edward Madureira
MDB — (2)
Flávia Morais
Célio Silveira
Lucas Virgílio
Major Sérgio
UB/PP — (3)
Silvyê Alves
Bruno Peixoto
José Nelto
Delegado Waldir
Adriano do Baldy
PSD — (2)
Fátima Gavioli
Ismael Alexandrino
Daniel Agrobom
Lucas do Vale
PRD/Solidariedade — (1)
Lucas Calil
Denis Pereira
PL — (2)
Magda Mofato
Major Victor Hugo
Fred Rodrigues
Fábio Souza
PSDB — (1)
Professor Alcides
Vovô do Jeep
Felipe Cecílio
Podemos — (1)
Glaustin da Focus
Igor Franco
PSB — (1)
Aava Santiago
Novo — (1)
Humberto Teófilo
