Luis Cesar Bueno, candidato do PT ao governo, pode ser fato definidor para que a eleição em Goiás não termine no 1º turno. E para os arranjos políticos de eventual 2º turno. Mesmo ele não chegando lá.
Na pesquisa Paraná Pesquisas, realizada entre 8 e 10 de setembro, ele aparece com 3,4% das intenções de voto. E na AtlasIntel feita de 27 de agosto a 1º de setembro, vai a 10,7%.
Em todas, ele é 4º colocado, longe dos líderes. Chance reduzida de vitória. Mas este não é o ponto. Sua importância está nos detalhes.
Para Luis Cesar impactar a disputa no Estado, basta manter viva a sua candidatura e não deixar que ela se transforme em um desastre eleitoral. Se aumentar os índices e conseguir um resultado relevante, melhor ainda.
Com 5% dos votos, Luis Cesar Bueno vai para a mesa de conversas. Com 10%, mexe na correlação de forças tanto no 1º turno quanto no 2º. Com 15%, bagunça o jogo.
Dependendo do percentual nas pesquisas agora de intenção de voto, Luis Cesar garante o 2º turno. Valoriza mais o seu passe. E isso é ser decisivo para o resultado final, que é construído nos pormenores.
O objetivo primordial do petista é este, em resumo: pontuar bem no 1º turno para dar ao PT condições de interferir – indiretamente, que seja – no 2º turno em Goiás e, de quebra, abrir mais espaço para a campanha em favor de Lula.
Torcer por mais campanha e trabalhar para crescer – e para prolongar a disputa – são as molas impulsionadoras de Luis Cesar Bueno para chegar ao outro nível, onde estarão Daniel, de um lado, e Wilder Morais (PL) ou Marconi Perillo (PSDB), do outro.
Se for Marconi, cabe a pergunta: o PT com seus dirigentes, os demais partidos alinhados à esquerda e o eleitor petista escolheriam Daniel ou o tucano para votar?
É certo que a negociação ocorreria nos bastidores, assim como o eleitorado escolheria sem um chamado público.
Como ocorreu em 2022 em favor de Sandro Mabel (UB), que herdou o eleitorado de Adriana Accorsi (PT) sem precisar pedir ou negociar. Foi pelo simples fato de o adversário ser um bolsonarista.
A Daniel e seu maior apoiador, Ronaldo Caiado, não interessaria foto com petistas, e vice-versa, já que Caiado tende a apoiar Flávio Bolsonaro no 2º turno.
Embora o presidente nacional do PSD e candidato a vice-presidente de Caiado, Gilberto Kassab, possa apoiar abertamente o petista. Faz parte.
Além de Luis Cesar Bueno, o PT tem outro canal de conversação com Daniel Vilela.
A deputada federal e candidata à reeleição Adriana Accorsi não dialoga com Caiado, mas tem portas abertas com o governador. Ela e Daniel estiveram juntos na fase final de pré-campanha.
O mesmo movimento não fez Marconi Perillo quando podia. Quando foi procurado. No início do ano, assessores próximos dele entabularam articulação com o candidato a deputado federal Delúbio Soares. Nada avançou.
Marconi não quis, e pode ter desperdiçado a chance de obter o voto petista em caso de ida ao 2º turno com Daniel. A não ser que conte com a adesão do bolsonarismo.
Em um embate com Daniel, Marconi disputaria o voto não explícito dos bolsonaristas de Wilder e dificilmente teria os de petistas e seus aliados, como o PSB de Aava Santiago.
Luis Cesar Bueno não é candidato para ganhar a eleição em Goiás. É candidato para levar a eleição ao 2º turno e ver o que dá pra fazer em favor de Lula.
E, embora Daniel Vilela trabalhe para definir a eleição no 1º turno, Luis Cesar Bueno e o que ele representa ficam na reserva como ativo de um Plano B, caso tenha 2º turno.
