Estimativas baseadas no Censo 2022 e em projeções de estudos científicos revisados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que Goiás pode ter mais de 400 mil pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia.
Para pessoas que enfrentam sobrecarga sensorial, as chamadas salas de descompressão podem ser um recurso para reduzir estímulos e auxiliar na regulação durante eventos públicos. A proposta é defendida pelo empresário de Senador Canedo e candidato a deputado estadual Samuel Carvalho (Republicanos), diagnosticado com TDAH.
Esses espaços, também conhecidos internacionalmente como quiet rooms, são ambientes destinados à acomodação e à redução de estímulos sensoriais. A ideia é oferecer condições para que a pessoa possa se recuperar após uma situação de sobrecarga.
“Elas servem para promover uma baixa no estímulo sensorial, para que a pessoa portadora de neurodivergência possa se recuperar após uma sobrecarga”, explica Samuel.
Estruturas desmontáveis
Carvalho defende a criação de uma política pública para formar um acervo de salas itinerantes de descompressão, que poderiam ser transportadas e instaladas em eventos públicos com grande circulação de pessoas e elevado potencial de estímulos sensoriais.
Segundo o candidato, já foi realizado um levantamento preliminar dos equipamentos necessários para a implantação das estruturas. Entre os itens estão módulos portáteis, equipamentos para redução de ruído ou isolamento acústico e estrutura para transporte.
A estimativa apresentada por Carvalho é de que cada sala tenha custo médio entre R$ 15 mil e R$ 30 mil.
A estrutura poderia contar ainda com iluminação regulável e indireta, abafadores e fones de ouvido, pufes, almofadas e assentos individuais, além de cortinas e objetos utilizados para autorregulação, conhecidos como fidgets.
“O principal objetivo é dar à pessoa a possibilidade de ela controlar os próprios estímulos”, afirma.
Acesso a eventos
Para Carvalho, a proposta poderia ampliar a participação de pessoas neurodivergentes em atividades culturais, religiosas e de entretenimento realizadas em espaços públicos.
“Pense em uma família que deseja ir a um show ou a uma cantata de Natal, mas não pode porque o filho com certeza, em algum momento, vai ter uma crise. Agora imagine um local onde ele possa, caso isso aconteça, se organizar e normalizar seu sistema sensorial, podendo desfrutar da experiência. É sobre isso. É sobre ser feliz”, conclui o candidato.
