O 7 de Setembro é celebrado como o marco da separação do Brasil de Portugal, mas o processo que levou D. Pedro a declarar o rompimento começou 14 anos antes e envolveu revoltas provinciais, pressões geopolíticas e uma série de atos políticos que transformaram a colônia em Império.
A fuga da corte e a elevação do Brasil a Reino
Em 1808, tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadiram Portugal. A família real portuguesa transferiu-se para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil Colônia, em uma manobra para escapar da perseguição.
Sete anos depois, em 1815, o príncipe regente D. João VI elevou o Brasil à condição de Reino Unido a Portugal e aos Algarves. O ato, na prática, reduziu a subordinação administrativa da colônia e deu ao território status político inédito.
A Revolução do Porto e o retorno forçado da família real
Em 1820, uma revolução liberal irrompeu em Portugal. As Cortes portuguesas exigiram o retorno da família real e a revogação das autonomias concedidas ao Brasil. D. João VI regressou a Lisboa, mas deixou no Rio de Janeiro seu herdeiro, o príncipe D. Pedro de Alcântara, como regente.
A insatisfação com as medidas recolonizadoras ganhou corpo rapidamente. Pernambuco já havia dado o sinal de que o domínio português não seria mais tolerado.
Pernambuco e a primeira ruptura
Em agosto de 1821, forças pernambucanas iniciaram um movimento armado contra o governador Luís do Rego Barreto. O conflito terminou em outubro com a Convenção do Beberibe, que expulsou os exércitos portugueses da província.
O Movimento Constitucionalista de 1821 é considerado por historiadores o primeiro episódio da Independência do Brasil, embora tenha sido restrito à região nordestina.
Dia do Fico e o confronto direto com Lisboa
Em 1821, as Cortes portuguesas determinaram o retorno imediato de D. Pedro a Portugal e a redução do Brasil à condição anterior de colônia. Influenciado pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro, o príncipe recusou-se a obedecer em 9 de janeiro de 1822; data que ficou conhecida como Dia do Fico.
A partir daí, a ruptura tornou-se questão de tempo.
Em junho, D. Pedro convocou a primeira Assembleia Constituinte brasileira. Em agosto, declarou inimigas as tropas portuguesas que desembarcassem no país e assinou o Manifesto às Nações Amigas, justificando o rompimento com Lisboa.
A carta de Leopoldina e a declaração no Ipiranga
Em 2 de setembro de 1822, um novo decreto das Cortes portuguesas chegou ao Rio de Janeiro, com exigências que na prática anulavam a autonomia brasileira. D. Pedro estava em viagem a São Paulo. Sua esposa, a princesa Maria Leopoldina, no exercício da regência, reuniu o Conselho de Ministros e enviou ao marido uma carta aconselhando a declaração de independência.
A correspondência chegou a D. Pedro no dia 7 de setembro. Segundo a narrativa histórica, às margens do Riacho Ipiranga, ele proclamou a separação de Portugal, encerrando 322 anos de domínio colonial.
Reconhecimento e consolidação
Um mês depois, em 12 de outubro de 1822, D. Pedro foi aclamado imperador. Em 1º de dezembro, foi coroado como D. Pedro I.
Nem todas as províncias aderiram de imediato. Bahia, Maranhão e Pará, cujas juntas governantes tinham maioria portuguesa, só reconheceram a independência em 1823, após conflitos armados com tropas locais.
Em 1823, eleições para a Assembleia Constituinte foram realizadas, mas divergências com o imperador levaram ao seu fechamento. A primeira Constituição brasileira foi outorgada em 20 de março de 1824, elaborada pelo Conselho de Ministros.
O reconhecimento formal por Portugal só veio em 1825, com a assinatura do Tratado de Paz e Aliança entre D. João VI e o Império do Brasil, mediado pelo Reino Unido.
