Continuemos a conversa anterior sobre profissionalismo de Daniel Vilela (MDB) versus amadorismo de seus principais adversários: Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL).
Viram o debate deste domingo, 29, na PUC TV? Vejam os próximos. O que está ruim, pode melhorar. Se piorar, compre pipoca.
Um raio-x do que passou para guiar os que virão.
Daniel mal terminou o debate da PUC e já controlava a narrativa nas redes sociais. Venceu o debate, por quebrar a expectativa de que se daria mal e seria vencido no desempenho por Marconi.
E venceu também o pós-debate, com sua equipe trabalhando rápido no gatilho dos memes e edições de vídeos.
Um desses vídeos, com ato falho de Marconi pedindo “direito de corrupç…”, em vez de direito de resposta, chegou no WhatsApp de grupos de apoiadores até antes do debate terminar.
A provocação do tucano a Daniel para abrir o sigilo bancário dele, da esposa e da sogra, quem viu? A esperteza era chegar na sogra de Daniel. Não teve efeito algum, nem bochicho virou.
O primeiro vídeo que Wilder Morais subiu ao Instagram merece estudo. A primeira imagem não era dele, mas de Daniel perguntando sobre segurança, a área de melhor avaliação do governo.
Estão lá: longos segundos de Daniel elogiando a si mesmo – o próprio governo -, com a concordância de a Wilder em seguida.
Wilder como apresentador de Daniel.
Imagem e tema positivos para a campanha do governador expostos na vitrine do candidato do PL. Um espetáculo particular.
Daniel ganhou O debate, na perspectiva de que foi quem mais ganhou COM ele. Antes, durante e depois.
Não se comprometeu, manteve tom calmo, foi espirituoso, como quando reverberou ataques com um diste: o senhor está nervoso; eu vim pra debater propostas, e não para baixaria. Assim.
Wilder e Luis César Bueno (PT) não ganharam, nem perderam. Foram bem. Sem brilho, não se sobressaíram. Mas não se comprometeram.
Marconi perdeu. Perdeu a oportunidade de se mostrar o mais preparado, como tem pregado. E de corresponder à expectativa de que está em nível superior, em virtude de sua experiência e maturidade.
Revelou-se ao contrário. Combateu o mau combate. Fez o que é receita para aumento de rejeição. Insana busca de ter razão, em vez de priorizar ganhar a eleição.
Para Marconi, o pior que pode acontecer à sua imagem é sair da eleição mais fundo no passado do que avançado no futuro. Mais velho, no sentido de ultrapassado, do que novo, como em 1998.
Hitler explica a propaganda do atual governo? Hitler explicava a propaganda dos governos tucanos. O discurso que usa como ataque hoje é o discurso com que os governos tucanos eram atacados nos seus tempos. Nada de novo nesse front.
Wilder anunciou que só vai governar depois de 100 dias, e deu ar de grandeza ao vácuo de governabilidade prometido. Primeiro irá se informar sobre o governo; depois, definirá ações. Foi o que deu pra entender de suas frases soltas, sem recheio, anexas.
Daniel não apresentou nada novo. Nenhuma nova ideia, nada de avanço, e por isso não foi cobrado nem criticado. Zero proposta e zero reparo dos adversários.
Daniel é Caiado e Caiado é Daniel. Assim está resumido o programa de governo da reeleição. Aprovado por todos no debate, com discordância de ninguém na replica e na tréplica.
Luís César, afiado sobre obras do governo, não apontou futuro. Defendeu uma tese de mestrado politico-pragmática. A de que Lula fez muito por Goiás, apesar de governantes adversários, e fará muito mais caso ele, um aliado, seja eleito.
Quer dizer: Lula poderia ter feito mais do que fez. Goiás é vítima da falta de petista no governo. Uma tese que esbarra na banca examinadora das políticas públicas republicanas, apartidárias. Como devem ser, segundo os manuais da esquerda teórica.
O debate foi positivo. O desempenho dos candidatos, negativo.
Quem quer governar está em dívida com o povo goiano.
