Mais de 164 hectares de vegetação foram alvo de autuações por desmatamento ilegal em Goiás durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026. A área equivale a aproximadamente 230 campos de futebol.
A fiscalização ocorreu entre os dias 17 e 27 de agosto e alcançou 18 áreas no Estado. Ao todo, foram emitidos 20 autos de infração e 15 termos de embargo, além da aplicação de R$ 298,2 mil em multas.
A operação reuniu o Ministério Público de Goiás (MPGO), a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e forças policiais.
A atuação conjunta amplia a capacidade de identificação das áreas desmatadas e permite que os órgãos adotem medidas administrativas, civis e criminais contra os responsáveis.
Alertas orientaram fiscalização
As áreas foram selecionadas a partir de sete alertas emitidos por sistemas de monitoramento remoto, entre eles o MapBiomas Alerta. Após a análise das imagens, as equipes realizaram verificações a distância e inspeções presenciais para confirmar as irregularidades.
O cruzamento de informações geoespaciais permite localizar alterações na cobertura vegetal e direcionar os fiscais para os pontos com indícios de supressão ilegal. Em alguns Estados, drones e equipamentos de georreferenciamento também são utilizados nas inspeções.
Segundo a promotora de Justiça Daniela Haun de Araújo Serafim, coordenadora da operação em Goiás, a integração entre Ministério Público, órgãos ambientais e forças de fiscalização tem aumentado a capacidade de resposta aos crimes ambientais.
A promotora afirmou que o uso de inteligência geoespacial e o acompanhamento permanente das áreas contribuem para identificar infrações, responsabilizar os envolvidos e orientar a recuperação da vegetação atingida.
Responsáveis podem responder em três esferas
Além das multas e dos embargos, os responsáveis pelo desmatamento podem ser obrigados a reparar integralmente os danos ambientais e climáticos. As ocorrências também podem gerar responsabilização nas esferas cível e criminal.
As propriedades autuadas ainda estão sujeitas a restrições no Cadastro Ambiental Rural (CAR), no acesso ao crédito rural e em outros instrumentos previstos na legislação ambiental.
A Operação Mata Atlântica em Pé foi realizada simultaneamente nos 17 Estados abrangidos pelo bioma. A coordenação nacional é da Associação Brasileira dos Membros do Ministério Público de Meio Ambiente (Abrampa) e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio da Fundação SOS Mata Atlântica.
Além de Goiás, participaram da mobilização Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Balanço nacional
Os resultados nacionais da operação serão apresentados nesta sexta-feira (28), durante evento no Centro Universitário Dom Helder, em Belo Horizonte. A divulgação ocorre na abertura do seminário que marca os 20 anos da Lei da Mata Atlântica.
Dados do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica indicam que o desmatamento no bioma caiu 40% em 2025 na comparação com o período anterior. Em relação a 2020 e 2021, a redução chegou a 60%, segundo a Fundação SOS Mata Atlântica.
O balanço nacional permitirá comparar a dimensão das áreas fiscalizadas e das sanções aplicadas nos Estados. Em Goiás, os 164 hectares autuados colocam em evidência o uso do monitoramento remoto para transformar alertas ambientais em ações de fiscalização e responsabilização.
