Chegou a hora e vez de pedir votos. Pré-campanha já era. Eleição a partir de agora é pé na estrada e faca nos dentes.
As articulações, as maquinações, as conversações, tudo continua valendo. Em curso, nos bastidores, acordos tramados no frigir da hora seguem o roteiro de traições e pragmatismos vigentes.
A fase de cuidados, pisar em ovos de serpente, afagos e mesuras, essa acabou. É ficar atento aos últimos acontecimentos.
Dia 4 é voto na urna. 2º turno, uma possibilidade, não uma realidade. Até lá, vale o impossível. O balcão de negócios fica aberto ao preço de cada interesse.
Nos movimentos de construção de base, alianças e chapas, os choques provocaram reações sem abalar fundações. Ninguém morreu pelo caminho. As tratativas mudam de patamar porque ou se resolvem por bem, ou serão resolvidas nas maldades da corte.
O governo, principal fiador da principais confusões e brigas, já enviou a mensagem: quem não está comigo, está contra. E isso tem consequências.
As agruras da escolha do vice de Daniel Vilela e Marconi Perillo são águas passadas. Terão de ser.
Daniel tem o nome que escolheu e não agrada a todos. Nenhum agradaria de forma geral e irrestrita. Tá escolhido. É ir em frente, com sorriso no rosto. Ou não?
Marconi esperou uma divisão de brigadas na trincheira governista, que não chegou. A sua vice é reconhecida entre articuladores de campanhas como um bom nome – mas politicamente não somou forças. Foi o possível, não o melhor nome.
Daniel segurou o maior número de partidos com ele. Trabalhou bem. Com isso, assegurou o maior número de tempo de TV no horário gratuito. E o maior exército em campo para o estirão derradeiro da guerra eleitoral.
Para o PT, a grande notícia é estar respirando, ainda que por aparelhos. Luis Cesar Bueno cumpre a missão de o partido ter um candidato. Embora não tenha sido atingida a meta de se ter um candidato competitivo para somar votos para Lula.
E Wilder é o que sempre foi: candidato a azarão.
Wilder é um nome à espera da sorte, mais uma vez. Como ocorreu ao assumir o Senado no afastamento de Demóstenes Torres, e quando foi eleito com votação baixa, beneficiado pela entronização do bolsonarismo na política e a derrocada política de Marconi Perillo.
Wilder não ter personalidade própria na campanha não é novidade. Quem tem corpo e alma eleitoral é o bolsonarismo.
Logo, não há que se esperar dele que: 1) vá a debates (nunca foi), 2) apresente ideias inovadoras (nunca apresentou, nem projetos relevantes no Senado), 3) mostre-se um líder conectado à vida dos goianos lá na raiz (seu modo de vida reside nas suas empresas e no estilo socialite).
A espera, em relação ao Wilder, é a da possível manifestação do fenômeno do bolsonarismo. O milagre da multiplicação de votos não será mérito pessoal, e sim ocorrência impulsionada de algo que o manobra, sem ser manobrado ou controlado por ele.
Cada candidato com sua agonia e esperança.
Se Daniel vencer a eleição em outubro, será obra física dele e de Caiado.
Se Marconi vencer, estará materializado mais um caso de ressurreição política.
Se Luis Cesar vencer, veremos ironia histórica.
Se Wilder vencer a eleição deste ano em Goiás, será uma vitória do bolsonarismo.
Com o detalhe de que será ele a governar, com suas características e idiossincrasias.
Vitória do bolsonarismo, governo de Wilder, à sua imagem e semelhança.
Governo segundo suas vontades. E de acordo com a sua visão de mundo e de Estado, o que nunca trouxe a público até hoje.
Alguém sabe por onde caminha o projeto e o estofo político de Wilder, além das platitudes do discurso de “governar para o povo”, “eu conheço os pobres”, “eu sei administrar porque sou empresário que sabe ganhar dinheiro (inclusive do Estado)”?
Vale o raciocínio para os adversários. Está mais do que claro que Daniel planeja governo com aval de Caiado, mas agindo por conta própria. Já está moldando o governo nessa direção. Nos escalões de sustentação da máquina.
Marconi traz com ele a perspectiva pessoal de alguém que vislumbra um futuro. Quer um lugar na história. Insiste que amadureceu e se esforça para mostrar as provas da intenção. Começou a apresentar propostas.
Porém é alguém que carrega uma bagagem que vale quanto pesa na repercussão negativa: o seu entorno. A falta de renovação de quem o serve é uma prova de que a renovação que prega é limitada pelos fatos.
A previsão que isso carrega: Marconi até olha para o futuro, no entanto a sua estrutura de apoio respira o sonho de vingança pelas vicissitudes sofridas com a derrota de 2018.
O ponto frágil da passagem da pré para a campanha é a disputa pelo Senado.
O embate entre Gracinha Caiado, Gustavo Mendanha, Zacharias Calil e Vanderlan Cardoso impacta pra baixo a unidade governista. E é ‘rilia’ pra não acabar até dia 4 de outubro.
Haverá guerra em particular nesse nervo exposto como não haverá entre as demais candidaturas.
A disputa pelo Senado dentro do governo é o ponto fraco de Daniel.
Mas sem ser ponto forte dos demais candidatos, porque não é algo que possam controlar. Poderão, sim, usufruir dos efeitos. Não determinam o curso dos acontecimentos. Os fatos estão alheios à sua vontade.
A guerra pelo Senado é um problema da base aliada. Para Daniel. Para Caiado.
Eles estão com faca nos dentes. E olhando um para o outro muito mais que para os lados.
