A chave da mudança para um prefeito que tropeça na relação com a cidade e sua gente é ouvir. Sempre será.
Ouvir mais, falar menos é pressuposto da vida. Baliza pragmática da comunicação.
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, tem disposição como poucos gestores tem para trabalhar.
Ele não para. Virtude que nem adversários negam. É uma das suas verdades inatas. Inerentes.
Mabel tem histórico de boa gestão na iniciativa privada. E, depois de um ano no cargo, está mais adaptado à gestão pública.
Vivendo e aprendendo os percalços e peculiaridades da engrenagem pública.
E conta com uma cidade aberta a realizações. Muita coisa a ser feita; uma população ávida pelo muito que precisa ser feito e refeito.
Goiânia carece de alguém que a trate bem e a coloque no rumo. As duas coisas juntas. Como fizeram Iris Rezende, Nion Albernaz, Pedro Wilson.
Tudo favorece Mabel. Depende dele.
O episódio do viaduto da Av. Leste Oeste sobre a Av. Castelo Branco mostra um ponto forte de sua personalidade. De seu jeito.
Ele não se detém no negativo. Não para na adversidade da demanda e do próprio tropeço.
A ideia da enquete mostrou-se desastrosa. Sua pressa em acabar com ela e a mensagem institucional afirmando que “a prefeitura decidiu” deixam claro que ele sentiu. Sentiu, mas não desistiu. É isso.
Havia ali, na ideia da enquete, ao menos a intenção da solução. Ao desviar-se rápido da auto-armadilha e retomar o comando da situação, mostrou resiliência e reposicionamento.
A cidade voltou a ter prefeito que, ao menos, lidera. Não está perdido.
Recalibrada a pauta e a ação, virou fato sua determinação em apresentar uma alternativa à cidade ao problema de um viaduto malfeito. Problema que herdou e tem que resolver agora. Não foi ele que criou.
A saída veio com a notícia da passagem lateral, melhorada com ampliação para duas pistas. Dá pra ir por aí, até que se resolva tudo de uma vez. O caminho e a luz, por ora.
Em Anápolis, o prefeito Márcio Corrêa tem mostrado uma forma bem sucedida de interagir com a população sem criar tumultos e ruídos constantes.
Márcio sai pelas ruas e vai falando para a câmera e cumprimentando quem passa e mexe com ele. Bem coisa de interior, onde todo mundo conhece todo mundo. Tem dado certo.
Em Goiás Mabel vai para as ruas também e também mexe com as pessoas. Não deu certo. As reações nas redes sociais, no que pesquisas qualitativas mostram e numa simples roda de conversa mostram isso.
Ciência (as pesquisas) e percepção deixam claro. Aliás, reconhecer isso e aceitar são passos fundamentais para que essa realidade seja mudada. Já foi assunto aqui.
Mabel é firme e forte nas posições. Márcio Corrêa faz tudo com leveza e naturalidade. Há empatia.
Nas ruas, Márcio dialoga com a população. Ele responde. Não discute. Não cobra. Não dá voz de comando. Não se perde na discussão. E posta.
Em vez de desgaste, passa proximidade entre gestão e povo.
Claro, há vídeos em que ele se perde no personagem. Exagera.
Tem aquele em que Márcio entrevista um morador de rua, que confessa crimes na sua frente, e ele não faz nada. Como assim? Não passou credibilidade. Muito cena dirigida.
Mas é exceção, não a regra.
A forma usada é natural. A fórmula tem funcionado.
Não quer dizer que, isso que Márcio faz, vai dar tudo certo sempre e o tempo todo. Quer dizer que está dando certo.
Para ele, um achado. Para a cidade, uma perspectiva. A oposição que faça o resto: vigiar e contestar.
Mabel em Goiânia e Márcio em Anápolis tem estilos diferentes de conduzir a gestão e a comunicação – a pessoal e a pública.
No Instagram, Mabel tem 296 mil seguidores; Márcio tem um milhão.
Qual dos dois faz a melhor administração?
Quem entrega mais resultados? O povo sue o diga: nas pesquisas de avaliação, e nas urnas, quando forem à reeleição.
E não é dizer que Márcio é melhor gestor que Mabel, ou vice-versa.
A questão é: agindo de modo diverso, a resposta nas ruas não é a mesma.
Ter a exata noção do que isso significa é o que define uma gestão. Que é feita de ações e de comunicação. Irmãs siamesas. E inseparáveis.
E nem se trata de dizer que as estratégias devem ser iguais. Mas, que estou dizendo… Essas coisas são óbvias, não?
Uma das diferenças de posicionamento: Márcio faz o básico; Mabel quer sempre o espetacular.
Márcio apresenta o problema e mostra a solução dada. Não anuncia, apenas. Mata a cobra. Cumpre sem prometer. Gestão de resultado concreto no ato.
Comunicação e ação. Ação e comunicação.
Mabel se fixa mais no problema. E propagandeia o problema e a sua intenção de resolvê-lo. Promete.
Promessa X entrega real e imediata. A chave.
Governador, prefeito, todo gestor é o maior veículo de comunicação de sua gestão e o maior cabo eleitoral de si mesmo.
Não adianta ser bom de alma e não comunicar com o corpo.
E isso não será nunca problema de comunicação. É gestão, cidadão.
Goiânia tem solução. Mabel. Anápolis, também. Márcio.
A solução é pública e notória. Se não hoje, amanhã nas urnas. Não tem problema.
