A indústria brasileira frustrou as expectativas de analistas em maio. O recuo de 0,2% na produção, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (3), veio abaixo da projeção de mercado, que estimava crescimento de 0,3%, segundo boletim da SPE do Ministério da Fazenda.
O resultado surpreendeu pela direção oposta. O mercado esperava que o setor mantivesse o fôlego observado nos primeiros meses de 2026. Janeiro e fevereiro haviam registrado altas expressivas de 2,2% e 1,1%, respectivamente. Março e abril seguiram positivos, mas com intensidade menor — 0,3% e 0,7%.
A curva em desaceleração
O comportamento da indústria nos últimos seis meses sugere uma trajetória de perda de ímpeto:
- Dezembro 2025: -1,9%
- Janeiro: +2,2%
- Fevereiro: +1,1%
- Março: +0,3%
- Abril: +0,7%
- Maio: -0,2%
A volatilidade entre meses indica um setor que ainda não encontrou ritmo estável de crescimento. A SPE avalia que o resultado foi pontual e não configura reversão de tendência.
Os pesos-pesados que pesaram
A queda foi concentrada. Coque, derivados de petróleo e biocombustíveis (-6,1%) e indústrias extrativas (-2,6%) responderam pela maior parte do recuo. Juntos, esses dois segmentos interromperam cinco meses consecutivos de alta.
O setor automotivo seguiu na contramão, com alta de 4,1% no mês e cinco meses de crescimento contínuo. A produção de automóveis, caminhões e autopeças sustentou o avanço.
O que esperar
O patamar atual da indústria; 4,5% acima do pré-pandemia, indica recuperação, mas ainda distante do pico histórico de 2011. O desafio para os próximos meses será retomar o crescimento em bases mais amplas e menos dependentes de poucos setores.
