Tá muito claro que Adriana Accorsi é o melhor nome, em potencial eleitoral, do PT para disputar o governo de Goiás, mas que ela não quer.
Está empatada com Wilder Morais (PL), o bolsonarista. E não muito longe do segundo colocado, Marconi Perillo (PSDB). Sua candidatura pode ser decisiva para levar a eleição, liderada hoje pelo governador Daniel Vilela (MDB), ao segundo turno. Esse o quadro.
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Adriana não quer. Trabalha por alternativa. Não esconde.
Há um conjunto de fatores que define o seu não-querer. Vida pessoal e familiar, cansaço de disputas repetidas, incômodo com o processo ‘chega pra lá’ interno.
No PT, o argumento mais usado para convencê-la é que ela precisa pensar mais no partido do que nela mesma.
Isso é conversa de quem é pré-candidato a deputado federal e quer tirá-la da disputa porque teoricamente isso abre mais possibilidade de eleição para eles ou elas.
Poderiam dizer que é medo de enfrentamento dos nomes na disputa. Mas isso não cola. Adriana tem história pra colocar esse argumento no chão. Então partem para o emocional partidário (deixemos assim).
A outra leitura do processo interno do PT é a que reforça uma virtude da legenda: os debates e disputas internos como motor natural das decisões, por mais difíceis que sejam.
Mas há outra. Tudo aponta para o fato de que Adriana é o nome que se sobressai, que está acima dos mais longevos na legenda, os que estão aí há tanto tempo e não conseguiram chegar além da necessidade vital de matar um adversário interno para tentar sobreviver politicamente.
Adriana é o PT e ela mesma. Os outros são o PT. E ponto.
Hoje o afunilamento interno do PT está em dois nomes para o governo: Luis Cesar Bueno e Flávio Faedo. Dois nomes respeitáveis. Fortes entre os petistas. Desconhecidos no Estado em termos eleitorais.
Pode-se argumentar que nem Daniel Vilela, o governador, é conhecido de todos os goianos, nem Adriana é, e que isso mostra que ser desconhecido não é o maior problema numa disputa.
De fato. Mas que recursos um nome do PT tem para fazer-se conhecido Diante de Daniel, Marconi e Wilder? Não existe impossível em eleição, mas o possível não é uma ilusão.
O PT terá nome e ele carregará o ônus e bônus do partido em um Estado que as pesquisas identificam em números como bolsonarista.
Só que Goiás tem nuances que desfiam a realidade: neste momento, o pré-candidato bolsonarista está disputando a última colocação – com Adriana. Wilder só se firma em terceiro quando é outro nome do PT como opção. Ou seja: o PT puramente.
Os petistas estão cheios de razão em querer Adriana Accorsi candidata a governadoras. E ela tem toda razão em não querer. Lula tem razão em buscar o melhor palanque no Estado.
A escolha final será o resultado desse choque de razões, e importa para todos. Para Goiás e para o andamento da campanha.
O PT, se não tem hoje chance de ganhar, pode fazer perder quem tem as maiores chances. Matemática eleitoral.
Para Adriana ficará o gosto do imponderável, se não for mesmo a candidata a governadora.
O jogo em Goiás está aberto este ano, para 2028 (prefeitura de Goiânia, que ela já disputou), e para 2030.
Adriana tem a imagem, qualidades pessoais, qualificação profissional, juventude (renovação), carisma, discurso e o frescor político que pesquisas qualitativas revelam como desejos do eleitor goiano para quem vai comandar o seu futuro.
Pontos positivos para, quem sabe, ocupar um dos prováveis polos de liderança na política local.
Política é vencer riscos.
Ela pode calcular que desiste de uma candidatura ao governo. Mas pode estar desistindo de bem mais que isso. Quem sabe?
