José Mário Schreiner (PSD) balançou a goiabeira e caíram folhas. Não é tempo de goiaba. A escolha do vice para a chapa do governador Daniel Vilela (MDB) à reeleição é um processo em andamento, longe do fim. Fim mesmo, talvez só na proximidade de julho, quando começam as convenções, dia 20.
Zé Mário fez um movimento. Reuniu 106 prefeitos – segundo números divulgados por sua assessoria – e mostrou que tá no jogo, tem disposição pra brigar pela vaga e tem aliados. Isso conta, naturalmente. Mas não define. Na hora do sim ou não, outros fatores pesarão.
O maior deles é o que passará pelas cabeças de Daniel Vilela e Ronaldo Caiado. Eles é que decidirão o nome, e essa escolha implicará muitas coisas mais. Uma delas é o momento da disputa. Daniel estará na liderança das pesquisas? Precisará de alguém que acrescente votos?
Ou Caiado escolherá por critério próprio, independente de uma provável necessidade da chapa por alguém com mais ou menos perspectiva de atrair voto? Ou até lá pode ser que ocorra uma reviravolta nas articulações que envolvam o PL, como muitos acreditam no governo, e ainda dê união?
As ameaças internas
Um critério forte, nos bastidores, é o que leva em conta a sucessão de Daniel, em 2030. Como ele não disputará o governo lá – e caso seja eleito agora -, um vice que represente ameaça política para Caiado e o próprio Daniel não é um vice ideal. Ameaça no sentido de que depois não poderá ser substituído ou impedido de disputar a reeleição.
Caiado, Gracinha Caiado, Daniel e seu grupo naturalmente pensam em garantir o poder agora e continuar com ele depois. Zé Mário é uma ameaça porque tem força própria, grupo político próprio e independência para peitar eventual pressão para que desista de disputar.
Sempre, nessa perspectiva de análise, considerando-se que Daniel será reeleito. Se não for, a história é outra. Mas vamos continuar.
Zé Mário é uma ameaça por isso, porque depois pode virar um problema. O mesmo vale para Gustavo Mendanha (PRD). Gustavo vice é Gustavo desde já candidatíssimo a governador. Quem quer isso, além dele, na base governista? Quem se anima a dar esse diferenciar competitivo a Gustavo agora?
O que menos ameaça o futuro político de todos na base governista é o ex-senador Luiz do Carmo. Ele é representante de um grupo considerado coeso e consistente. Que tem lastro no eleitorado, a partir da igreja Assembleia de Deus. Ao mesmo tempo, o que ele quer de fato é a vice.
Pode se animar depois a querer mais, ou alguém do grupo, mas não incomoda adversários a ponto de ser um… problema. Luiz do Carmo é um nome que soma sem pesar na balança, nessa visão. E não se trata de uma leitura particular, mas de uma impressão geral no grupo governista.
Um vice é escolhido normalmente por acrescentar recurso financeiros ou força política. Não é por eventualmente ser ‘dono’ de votos. Tanto que, passada essa fase de definição, ele costuma sumir. Figura no material de campanha, por imposição legal. E basicamente só.
O problema que pode virar é outro. Ser um peso, caso surjam denúncias contra ele, ou não esteja à altura do cargo titular, numa eventualidade – ou fatalidade – de ter que assumir o comando. Pode ser problema também depois, como um possível adversário do governador, por disputa de poder.
Gracinha Caiado e o óbvio
Zé Mário está em campanha. Essa é a informação que se sobressai e que é real. Campanha para ser vice. Errado num tá. Nisso, vale inclusive pegar uma frase solta da ex-primeira dama do Estado Gracinha Caiado, pré-candidata ao Senado, e apresentá-la como declaração de apoio.
Gracinha, em evento organizado pelo próprio Zé Mário, foi elegante e fez um aceno para mostrar respeito a ele, à sua liderança. Disse que, se dependesse dela, ele seria o vice. Nesta terça, 28, porém, disse outra coisa, ao lado do presidente da Alego, Bruno Peixoto: que a escolha será de Caiado e Daniel. Repetiu o óbvio.
A escolha do vice de Daniel Vilela é uma guerra de nervos e, principalmente, uma disputa de sutilezas e nuances de bastidores da política. O barulho, como este feito por Zé Mário, sacode a árvore, mas não garante o fruto. A goiaba pode já estar colhida, e Caiado e Daniel, mexendo o doce para servir quando for a hora – a hora deles.
