O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), deu um passo importante no que diz respeito à pacificação interna do bloco de oposição ao se reunir — na quinta-feira (9) — com o pré-candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado. O encontro, ocorrido em Porto Alegre, marcou uma clara mudança de tom do tucano, que anteriormente havia manifestado “desencanto” com a condução do partido. No entanto, o gesto de reaproximação veio acompanhado de uma demarcação de território: Leite reafirmou sua discordância frontal em relação à proposta de anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, uma das principais bandeiras do goiano.
A reunião na sede da Farsul foi o primeiro contato direto entre os dois após o PSD oficializar Caiado como o nome da legenda para 2026, processo que contou com a articulação de Gilberto Kassab e a desistência do governador paranaense Ratinho Júnior. Durante a conversa, Leite buscou suavizar o mal-estar gerado por suas declarações recentes, adotando uma postura mais institucional e de reconhecimento da liderança de Caiado. Segundo interlocutores, o movimento foi interpretado como um pedido de desculpas diplomático pela resistência inicial ao nome do ex-governador de Goiás.
Estive hoje com o governador Caiado e aproveitei para, antes de mais nada, me desculpar pela indelicadeza não intencional de não tê-lo parabenizado pela indicação como pré-candidato do PSD. Continuo discordando da leitura de cenário feita pelo partido, mas isso em nada diminui o… pic.twitter.com/7AVwyfgSQM
— Eduardo Leite (@EduardoLeite_) April 9, 2026
Apesar da convergência em temas econômicos e de gestão, o ponto de ruptura permanece sendo a agenda institucional. Caiado tem defendido publicamente a concessão de anistia a Bolsonaro como um caminho para a “pacificação do país”. Leite, por outro lado, fez questão de ressaltar que essa é uma barreira intransponível para sua ala política. Para o governador gaúcho, o respeito às decisões judiciais e ao rito democrático impede o apoio a medidas de perdão político generalizado.
Ronaldo Caiado, por sua vez, demonstrou pragmatismo ao absorver as críticas. O pré-candidato elogiou o modelo de administração de Leite no Rio Grande do Sul e afirmou que pretende incorporar propostas do tucano em seu plano de governo nacional. Sobre as divergências regionais e ideológicas, Caiado minimizou os atritos, citando o exemplo da Bahia, onde o PSD deve caminhar com o PT, enquanto ele próprio estará no palanque de ACM Neto (União Brasil). O encontro encerra uma fase de incertezas e dá início a uma fase de montagem de palanques estaduais sob uma unidade pragmática, ainda que com divergências morais e jurídicas nítidas.
