Goiânia se torna, a partir desta quinta-feira (26), um ponto de conexão direta com o coração da civilização andina. O Museu da Imagem e do Som de Goiás (MIS) abre as portas para a exposição fotográfica “O Grande Caminho Inca”, uma jornada visual por um dos maiores feitos da engenharia humana: o Qhapaq Ñan.
Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial, o Qhapaq Ñan não foi apenas uma estrada, mas a espinha dorsal do império Tawantinsuyu. A mostra reúne 35 imagens que sintetizam a grandiosidade de um sistema que articulou territórios onde hoje se localizam o Peru, Equador, Colômbia, Bolívia, Chile e Argentina. Para além da infraestrutura, as fotografias capturam a circulação de valores ideológicos e tecnologias que ainda ecoam nas comunidades locais.

Entre a história e o cotidiano

A curadoria foca na dualidade entre os monumentos de pedra e a vida pulsante que ainda percorre esses caminhos. Entre os destaques, figuram registros da icônica Ponte Q’eswachaka, em Cusco. Feita de fibras vegetais, a estrutura é renovada anualmente por meio de um esforço coletivo das comunidades locais, mantendo viva uma tradição milenar de cooperação.
A exposição também explora marcos geográficos e espirituais, como a Praça de Armas de Cusco e o Templo do Sol em Tumbes. No entanto, o olhar mais sensível da mostra recai sobre os rostos: crianças e camponeses que utilizam os trechos remanescentes do caminho para o comércio e a convivência, provando que o patrimônio inca está longe de ser um museu a céu aberto estático.
Janela para o intercâmbio cultural

A chegada da mostra à capital goiana simboliza um esforço de descentralização cultural, trazendo o contexto histórico sul-americano para o centro do debate artístico no Centro-Oeste brasileiro. Ao remover as barreiras geográficas por meio da lente fotográfica, a exposição oferece ao público a chance de entender a integração regional muito antes dos conceitos modernos de fronteiras nacionais.
A visitação segue disponível até o dia 23 de maio, com entrada franca. É uma oportunidade indispensável para entusiastas de história, fotografia e para quem busca compreender a identidade profunda da América Latina.
