Uma fiscalização de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou no flagrante de um caminhoneiro que conduzia um veículo de carga há quase um dia inteiro sem interrupções. O caso ocorreu na tarde desta quarta-feira (11), no quilômetro 689 da BR-153, no município de Itumbiara, região sul de Goiás. O motorista, de 44 anos, admitiu o uso de substâncias ilícitas para suportar a jornada exaustiva.
A abordagem envolveu um caminhão-trator Mercedes-Benz 1938 S, que transportava uma carga de abacaxis a granel. De acordo com os agentes, o veículo havia saído de Paraíso do Tocantins (TO) com destino à capital paulista. Durante a entrevista inicial, o condutor demonstrou sinais claros de instabilidade emocional, como ansiedade excessiva e inquietação, o que motivou uma inspeção mais detalhada tanto nos documentos quanto no interior da cabine.
Irregularidades e risco nas rodovias
Ao analisarem os registros de viagem, os policiais notaram a ausência do disco-diagrama do cronotacógrafo — equipamento obrigatório que registra a velocidade e o tempo de condução. Sem a comprovação do descanso obrigatório de 11 horas estabelecido pela legislação federal, a equipe técnica realizou um cálculo baseado na quilometragem percorrida. A conclusão foi alarmante: o homem estava ao volante desde o dia anterior, atravessando toda a madrugada sem pausas para sono ou repouso.
Pressionado pelas evidências, o caminhoneiro confessou que estava utilizando anfetaminas, popularmente chamadas de “rebite”. Ele revelou ter dissolvido três comprimidos da substância em uma garrafa de água mineral para consumi-la de forma fracionada ao longo do trajeto, tentando assim ludibriar o cansaço e a necessidade fisiológica de sono.
Consequências
O uso de anfetaminas, proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), representa um dos maiores perigos para a segurança viária. Embora a droga mascare a fadiga inicialmente, ela compromete severamente a percepção de tempo e espaço, podendo causar alucinações e paranoia. O maior risco ocorre no chamado “efeito rebote”, quando a estimulação cessa e o corpo sofre uma queda brusca de atenção, fator recorrente em colisões fatais.
A carga e o veículo ficaram retidos em Itumbiara até que o motorista apresentasse condições físicas de retomar o trajeto com segurança. O condutor assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por porte de droga para consumo pessoal e responderá ao processo em liberdade, comprometendo-se a comparecer em juízo.




