A escolha do vice de Daniel Vilela (MDB) não é o mais importante para a base do governo este mês.
Nem no próximo, se nada de novo acontecer que imponha mudança na rota estratégica em curso.
O debate, a especulação, a apresentação de nomes e o tempo dão ao governo espaço e empoderamento.
Ninguém corre atrás de algo que não tenha perspectiva de vitória. Se a corrida é grande e acirrada, é lá que está a taça cobiçada.
Este o ponto: quem vai ganhar?
Com os instrumentos que tem em mãos, e com tanto mais a fazer na urgência do momento – administrar a definição das chapas de candidatos a estadual e federal, e a transição de governo de Ronaldo Caiado para o MDB –, por que a pressa?
Por que abrir mão dos lucros da questão posta, que mais aponta para lucro político?
Por que apagar o lustro mágico da escolha do vice, sabendo que esse encanto acaba no instante em que o nome é escolhido e anunciado (mirem-se no que acabou de acontecer com outro pré-candidato, Wilder Morais, do PL)?
A dinâmica do jogo em curso, o jogo jogado, é que estabelece as regras do próprio jogo em curso.
Se esse entendimento de tempo ao tempo mudar, aí, sim, as jogadas tomarão outro rumo. Mas, não mudando, por que mexer em jogo que se está ganhando (na perspectiva do jogador).
Por que, de repente, tomar outro rumo para atingir o mesmo objetivo, que é manter unida uma base ampla e eclética, de muitos interesses e melindres pontuais?
Onde muitos veem inteligência muito elaborada, com estratégias pensadas com requintes de imaginação e complexidade real, na verdade – e normalmente – o que ocorre é simples condução de perdas e danos, conta básica de contenção de erros + ou – busca de ganhos.
A maior parte das coisas sendo feitas no calor da hora, simplesmente. Com riscos menos calculados do que se deve.
Ações e movimentações de surpresa, e não necessariamente surpreendentes – na origem e no objetivo. Às vezes, roleta russa.
O que mais há na política são improvisos passando-se por genialidades. Precipitações vendidas como casos muito bem pensados.
Algumas coisas dão muito certas. Outras, muito, mas muito erradas. Recibos nem sempre são passados. E por que seriam? Vale o contado, e não o escrito.
No peito e nas narrativas, o que deu errado é vendido como certo e certeiro. O que é azar, os artistas – marqueteiros, políticos astutos – transformam em sorte grande, num piscar de olhos, perspetiva de propaganda.
Política não é isso? Não é palco e picadeiro, onde são encenadas as nossas tragédias cotidianas? Ria, se puder. Ou só ria.







