A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) confirmou o afastamento de quatro policiais que atuavam no Centro Educacional (CED) 01 do Itapoã. A decisão ocorreu após a divulgação de vídeos que mostram dezenas de alunos realizando flexões no pátio da instituição, o que gerou denúncias de punição física inadequada. Enquanto o Sindicato dos Professores (Sinpro-DF) classifica o ato como “inaceitável”, a direção da escola e grupos de pais defendem que a atividade foi voluntária.
O conflito e a denúncia do sindicato
O episódio, registrado na última quarta-feira (25), ganhou repercussão nacional após o Sinpro-DF alegar que os estudantes foram obrigados a realizar os exercícios como forma de punição por não estarem utilizando o uniforme completo — especificamente pelo uso de casacos e calças em cores fora do padrão exigido pela unidade cívico-militar.
Em nota oficial, o sindicato afirmou que encaminhará um ofício ao Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) para apurar responsabilidades. A entidade sustenta que o ambiente escolar deve ser focado no desenvolvimento pedagógico e humano, posicionando-se contra o modelo de gestão compartilhada com forças de segurança.
A posição da escola e da comunidade
Por outro lado, a diretora do CED 01, Antônia Teixeira de Sá, utilizou as redes sociais para rebater as acusações. Segundo a gestora, a atividade faz parte de um “procedimento normal de formação” para alunos que chegam atrasados ou com vestimentas inadequadas, mas ressaltou que a participação é opcional.
“Não existe tortura na escola, não existe obrigação de pagar flexão”, declarou a diretora, afirmando que alguns estudantes teriam, inclusive, desafiado os agentes a aumentar o número de repetições durante a dinâmica.
No último sábado (28), um grupo de pais se reuniu na porta da escola em apoio aos militares afastados. Para esses responsáveis, a medida da Secretaria de Educação foi precipitada, defendendo que os policiais contribuem para a disciplina e a segurança no ambiente escolar.
Providências
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) classificou o ocorrido como um “equívoco na condução” e autorizou a substituição imediata dos militares. A pasta garantiu que nenhum aluno será prejudicado por questões de vestimenta e que o caso segue sendo acompanhado para garantir o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
A PMDF informou que abriu um procedimento administrativo para apurar os fatos e garantir o esclarecimento total do episódio. A corporação reiterou que não compactua com práticas que possam ser interpretadas como constrangedoras no ambiente de ensino. O CED 01 do Itapoã adota o modelo cívico-militar desde 2019, onde a PM atua especificamente na gestão disciplinar.









