Wagner Moura, ator indicado ao Oscar por “O Agente Secreto“, fez uma análise comparativa entre Brasil e Estados Unidos em entrevista ao jornal “El País“. Para ele, os padrões autoritários se repetem nos dois países, com ataques sistemáticos a artistas, jornalistas e intelectuais.
“Vivemos tempos muito tristes. É curioso como se repetem os mesmos padrões que ocorreram no Brasil. Por exemplo, demonizar os atores, os artistas, os jornalistas e as universidades. A extrema direita no Brasil foi muito eficaz em transformar, diante das pessoas, os artistas brasileiros em inimigos do povo”, afirmou.
Moura também comentou a situação da imigração nos Estados Unidos sob o governo Trump. “Estamos atravessando um momento muito feio; até eu tenho medo de me deparar com o ICE. Digo isso porque reajo de maneira explosiva quando vejo uma situação de injustiça ou de autoritarismo diante dos meus olhos. E agora não sei se conseguiria fazer isso, porque esses caras podem te matar, como vimos“, disse.
O ator abordou ainda o papel das redes sociais no fortalecimento de discursos autoritários. “Há cerca de dez anos, no Brasil, fomos muito ingênuos. Pensávamos que o Facebook podia ser uma ferramenta de conexão, de mobilização das pessoas e de democratização da informação. Hoje é evidente a união entre os oligarcas da tecnologia e a extrema direita. De alguma forma, nós, os progressistas, perdemos a batalha das redes sociais. Mas é preciso continuar insistindo, continuar lá, com pequenas desobediências“, completou.






