A Polícia Civil de Goiás detalhou, nesta quinta-feira (19), a conclusão do inquérito sobre a morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos. A peça-chave para o fechamento do caso foi um vídeo recuperado do celular da vítima, que registra o exato momento em que ela é abordada pelo síndico Cléber Rosa de Oliveira no subsolo de um edifício em Caldas Novas. O crime, ocorrido em dezembro de 2025, chocou a região pela frieza e pelos detalhes da execução.
A dinâmica do crime e a prova digital
De acordo com as investigações lideradas pelo delegado João Paulo Mendes, o vídeo prova que o crime foi planejado. Nas imagens, Cléber aparece aguardando a corretora no subsolo, utilizando luvas e com a caçamba de sua caminhonete aberta, posicionada estrategicamente para facilitar a rendição. Daiane havia descido ao local para verificar uma queda de energia, problema que a polícia acredita ter sido provocado para atraí-la a uma emboscada.
Embora o ataque tenha iniciado no prédio, a perícia da Polícia Científica concluiu que a execução ocorreu fora das dependências do condomínio. Daiane foi morta com dois disparos de pistola .380 na cabeça. O superintendente de Polícia Científica, Ricardo Matos, informou que a ausência de ruídos de disparos captados por testemunhas na recepção reforça a tese de que o assassinato foi finalizado em local isolado.
Disputa administrativa e judicial
A relação entre a vítima e o acusado era marcada por conflitos intensos. Ao todo, 12 processos judiciais envolviam as partes. O estopim teria sido a mudança na gestão de seis apartamentos da família de Daiane, que antes eram administrados por Cléber e passaram a ser geridos diretamente por ela.

Antes do crime, o síndico já havia sido denunciado pelo Ministério Público por perseguição (stalking), utilizando o sistema de câmeras do prédio para monitorar a rotina da corretora. O corpo de Daiane foi localizado apenas 40 dias após o desaparecimento, em uma área de mata a 15 km da cidade, após a confissão do suspeito em janeiro.
Situação dos envolvidos
Cléber Rosa de Oliveira permanece preso. Seu filho, Maicon Douglas, também foi detido sob suspeita de auxiliar na ocultação de provas e do cadáver. Em nota, a defesa de Cléber informou que aguarda o acesso integral ao relatório final da polícia para se manifestar. A defesa de Maicon Douglas declarou que se pronunciará após o término das coletivas oficiais.






