O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, na Marquês de Sapucaí, acabou além dos limites da avenida e se transformou em um novo capítulo da polarização política brasileira. Com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação gerou polêmica ao apresentar uma ala intitulada “Neoconservadores em conserva”, na qual integrantes desfilavam fantasiados de latas de mantimentos.
A resposta da oposição foi imediata e coordenada nas redes sociais. Parlamentares e lideranças de direita lançaram uma tendência visual utilizando ferramentas de Inteligência Artificial (IA) para criar ilustrações de famílias tradicionais estampadas em latas de conserva, subvertendo a crítica feita pela escola de samba.
O estopim

A ala que causou o embate buscava satirizar setores da sociedade que a escola identifica como “presos a conceitos antigos”. Entretanto, a estética foi recebida por políticos de oposição como um ataque direto aos valores familiares e religiosos.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado, utilizou suas redes para criticar a abordagem da agremiação, afirmando que a narrativa evidencia um distanciamento entre a esquerda e os valores da população que “educa seus filhos e crê em Deus”. No mesmo tom, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) publicou uma arte com a frase “Conservador por Jesus Cristo”, reforçando o uso da IA para dar escala à resposta visual.
Desdobramentos
Além da disputa de narrativas digitais, o caso ganhou contornos institucionais. Representantes da oposição confirmaram o acionamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) para analisar o conteúdo do desfile, questionando se houve abuso da liberdade de expressão ou ataque a grupos específicos com base em suas convicções ideológicas.
O enredo da Acadêmicos de Niterói percorreu a trajetória do presidente, desde a infância no Nordeste até a liderança sindical e a chegada ao Palácio do Planalto. Contudo, foram as críticas satíricas aos opositores e a ênfase em bandeiras eleitorais que dominaram o debate público no pós-Carnaval, evidenciando que a passarela do samba continua sendo um palco de intensas disputas ideológicas no Brasil de 2026.








