Ouço o alarido das redes sociais denunciando uso da máquina pública no desfile da Sapucaí em homenagem ao presidente Lula.
Propaganda antecipada, é a sentença de morte política esbravejada.
Penso se não é isso que fazem os governantes que usam recursos da máquina pública para propagandear o que fazem como construção de uma imagem também pública, mas pessoal, neste caso.
Quer dizer: estabelecimento de uma imagem política, ainda que como gestor, diante dos eleitores de hoje e amanhã, com recursos dos mesmos eleitores, pagadores dos impostos que sustentam a engrenagem pública.
Lula está se valendo de um recurso que não é inédito e muito menos exclusivo. Condenável? Atirem a primeira pedra.
Só penso e digo, não julgo nem sentencio. Quem sou eu?
Será bom pra ele? Outra história.
Vi um vídeo do marqueteiro João Santana, que já comandou campanhas petistas, em que ele acusa: não é bom, vai dar m… Quem avisa, marqueteiro velho de guerra é.
Sei não.
Os novos tempos políticos estão movidos a carvão de ódio. Primam pelo falem mal, mas falem de mim com um plus: tudo é feito calculadamente para que falem mesmo. Necessário e primordial que falem.
Não se fala de outra coisa, só Lula.
Vai ser cassado, não vai ser cassado, o TSE não tem saída senão condenar, não tem o que cassar já que a lei é um liberou geral desde que não peça votos e isso vem valendo pra todos ecumenicamente.
Façam suas apostas.
Enquanto isso, Lula escala nas menções e memes.
Enquanto isso, dá uma de Bolsonaro: cria fato que junta manada, a sua.
Desde o desfile, quem é Lula e mais Lula ainda, está com mais gama de ir para as ruas e ir na jugular dos adversários.
Eleição é eleição. Guerra é guerra, lembram?
Um cálculo frequente nas campanhas é se uma ação, um movimento, um tapa na acomodação do eleitor vale uma ação jurídica perdida ou não.
Campanhas precisam ter bons jurídicos também por isso: tem hora que a ação está fadada ao fracasso nos tribunais, mas o resultado prático na guerra pelo voto vale a pena.
Vale o risco a Lula? Com certeza seu estafe concluiu que sim. O ganho com a exposição será maior, calculam.
E vale a ação prometida por Eduardo Bolsonaro no TSE? Com certeza sim, também. Ganhar nos tribunal é uma coisa. Tentar ganhar, ou no mínimo conter, danos de narrativa nas ruas e redes é fundamental. E vai que ganha, né? Ainda tem isso.
Porque os candidatos disputam e um deles eventualmente ganha a eleição. Mas ninguém ganha mais do que o imponderável. A história mostra.
O imponderável disputa parelha a parelha com a estratégia certa na hora certa.
Se juntar os dois, então, a urna só confirma.
Lula dança conforme o enredo, pula arteiro no palanque, não está pra brincadeira. Mas claramente está se divertindo muito.
Se os adversários reagirem com ódio, melhor pra ele.
Isso conta muito até outubro. Depois é outra história.


