PragmPragmata… num primeiro momento: nossa, que criança fofa e bonitinha. Aí veio o choque: o neném não é neném. Olhei no fundo dos olhos brilhantes e azuis de Diana pela primeira vez quando buscava os lançamentos previstos para 2026. Achei no mínimo curioso que a Capcom decidisse lançar o jogo 56 dias após Resident Evil Requiem; uma agenda bem agressiva.
O jogo se passa em um futuro próximo, em uma estação de pesquisa lunar que foi tomada por uma Inteligência Artificial hostil. Após o colapso da estação, o astronauta Hugh Williams e uma misteriosa androide com aparência de criança, chamada Diana, precisam unir forças para escapar da Lua e retornar à Terra. O jogo explora o uso do “Lunafilamento”, um material capaz de replicar qualquer objeto físico a partir de dados, o que serve de base para as mecânicas e a narrativa.
Diferente de outros títulos de ação da Capcom, Pragmata foca na cooperação entre os dois protagonistas:
- Hugh Williams: É o personagem focado em combate direto. Ele usa armas de fogo e propulsores em seu traje para mobilidade.
- Diana: É uma unidade “Pragmata” feita de Lunafilamento. Ela possui habilidades de hacking, essenciais para desativar a blindagem dos inimigos e abrir caminhos na estação.
Você, jogador, controla Hugh, mas deve coordenar as ações de Diana para resolver os quebra-cabeças e expor pontos fracos de chefes. Decidi dar uma chance e baixar a demo gratuita chamada Pragmata Sketchbook, lançada em 5 de fevereiro de 2026 para consoles e PC. E caramba… pode até ser que algum jogo já tenha incluído esse tipo de mecânica, mas nunca tinha visto isso num game vindo de um estúdio tão grande e popular. A única coisa envolvendo hacking de que me lembrei durante a gameplay foi com o 9S em Nier Automata, mas a lembrança é um pouco distante. No caso, é uma mecânica de fragilizar inimigos, retirando a blindagem — como explicado acima na função da androide — antes de atirar. Você até pode atirar sem fazer isso, mas vai levar uma vida para matar um.
Fechei a demo em 15 minutos, mas dá para finalizar antes. Nela dá para ter contato com os gráficos, a movimentação fluida de Hugh, as armas, a interação com portas e mecanismos para subir ou descer de lugares que um pulo não alcança. Ela foi essencial para eu perceber que a jogabilidade está bem polida e os gráficos impecáveis. Eu diria que Pragmata está para Death Stranding 2 assim como Resident Evil 4 Remake esteve para os grandes exclusivos da Sony: é a prova de que a Capcom atingiu um nível de fotorrealismo, pelo menos no modelo dos personagens, que consegue encarar o ‘padrão Kojima’.
O jogo foi anunciado em 2020, mas sofreu diversos atrasos (originalmente previsto para 2022, depois 2023). A Capcom usou esse tempo para “polir” a experiência e adaptar o motor gráfico. E, como toda pessoa razoável sabe, adiar nunca é demais quando se busca um jogo bem-feito. Durante o desenvolvimento, muitos fãs teorizaram que o jogo seria um reboot ou sucessor espiritual de Mega Man. Ah, e a empresa não deixou os fãs sequer serem felizes nas teorias; afinal, Pragmata não é Mega Man. A Capcom negou oficialmente, reforçando que é uma história autoral.
Dia 24 de abril ele chega para PlayStation 5, Xbox Series X/S, PC e, conforme anunciado recentemente, o Nintendo Switch 2. E ele vai ser um desses games que o certo é jogar com a dublagem em português ou, para os puristas da origem da Capcom, em japonês. Apenas um detalhe me gerou um certo estranhamento… foi a sequência inicial da demo em que Diana aparece descalça. Considerando o comportamento problemático de certas comunidades na internet, essa decisão estética da Capcom soa um tanto desnecessária para a imagem de uma personagem com traços tão infantis.









