O Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO) anunciou nesta terça-feira (27) mudanças no exame prático para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em todo o estado. A principal alteração elimina a obrigatoriedade da baliza na prova. Além de Goiás, estados como São Paulo e Mato Grosso do Sul também adotaram a medida.
O Detran-GO baseou as mudanças na Resolução nº 1.020 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), publicada em dezembro de 2025. O texto define novas diretrizes para a formação de condutores, a emissão de documentos e a habilitação de veículos no país, com foco na modernização do sistema, na flexibilização das regras e na redução da burocracia.
O presidente do Detran-GO, delegado Waldir Soares de Oliveira, detalhou as alterações e explicou que os candidatos agora podem utilizar o próprio veículo no exame prático, desde que cumpram os requisitos exigidos.
“Desde que o veículo preencha os requisitos, esteja com a documentação em dia, tenha os pneus em boas condições e a iluminação funcionando, ele pode ser utilizado. Há também a possibilidade de usar um veículo automático na avaliação”, afirmou.
Segundo Waldir, a prova prática também deixou de exigir a rampa. Ele explicou que o item não possuía fundamentação legal e que os Detrans adotavam critérios diferentes em relação à exigência.
“Alguns Detrans utilizavam, outros não. Então, no momento, a rampa não entra mais na avaliação”, disse.
A mudança mais significativa, de acordo com o presidente, é a retirada definitiva da baliza em todas as categorias de habilitação. O exame passa a priorizar a condução em trajeto urbano.
“O foco agora é o trajeto. Muitos motoristas formados têm dificuldade em dar seta, fazer conversões à direita e à esquerda, respeitar semáforos e circular em rotatórias. Esses fatores passam a receber mais atenção na avaliação”, destacou.
Segurança no trânsito
Waldir afirmou que o Detran não possui dados estatísticos que relacionem acidentes diretamente à exigência de rampa ou baliza como critérios de avaliação.
“Talvez o motorista tenha dificuldade para estacionar, mas ele pode aprimorar isso depois. A mudança facilita o acesso à CNH sem comprometer a segurança no trânsito”, explicou.
O presidente também chamou atenção para o número de motoristas que circulam sem habilitação em Goiás. Segundo ele, 40 mil pessoas foram flagradas dirigindo sem CNH no estado apenas no ano passado.
“A intenção é facilitar o acesso das pessoas mais humildes à CNH. Antes, o custo variava entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. Hoje, uma categoria custa menos de R$ 500”, afirmou.
Para Waldir, o maior risco está no elevado número de condutores sem habilitação que desconhecem regras básicas de trânsito.
“Os estudos mostram que oferecer a CNH e ensinar o básico permite que essas pessoas circulem com mais segurança”, concluiu.







