A seleção brasileira inicia a fase eliminatória da Copa do Mundo de 2026 na próxima segunda-feira (29), às 14h, contra o Japão. O horário coincide com o expediente comercial de milhões de brasileiros, o que reacende uma dúvida recorrente: o trabalhador pode se ausentar para assistir ao jogo?
A resposta não é simples. O ponto de partida é direto: dia de jogo da seleção não é feriado. A legislação trabalhista não prevê nenhuma exceção para a Copa do Mundo. Portanto, a jornada regular continua valendo. A liberação de funcionários, quando acontece, depende exclusivamente da decisão do empregador.
Muitas empresas têm o costume de liberar a equipe durante os jogos, reduzir a jornada ou permitir que os funcionários acompanhem a partida no próprio local de trabalho. Outras mantêm o funcionamento normal e tratam o evento como qualquer atividade externa ao expediente.
Quando a empresa decide liberar os funcionários sem desconto, a folga é considerada remunerada. Essa prática pode ser adotada sem necessidade de acordo coletivo, desde que o empregador deixe a regra clara.
Há também a possibilidade de compensação. O advogado Marcel Zangiácomo, explica que a empresa pode exigir a reposição das horas liberadas. A compensação, contudo, precisa ser combinada e respeitar o limite de duas horas extras por dia. O acordo pode ser individual verbal, escrito ou coletivo e a quitação deve ocorrer em até um ano.
Já a falta injustificada em dia de jogo é tratada como ausência comum. O trabalhador pode sofrer desconto das horas e perder o descanso semanal remunerado. Advertências ou suspensões são possíveis em caso de reincidência, mas especialistas reforçam que faltar apenas para assistir a uma partida, sem avisar ou negociar antes, não configura justa causa.
Para quem atua em setores essenciais, como saúde, segurança e transporte, o esquema é ainda mais rígido. Nesses casos, a empresa não pode comprometer atividades indispensáveis. Supervisores costumam avaliar as condições operacionais e decidir caso a caso. Zangiácomo alerta que assistir ao jogo sem autorização, mesmo dentro do local de trabalho, pode ser interpretado como indisciplina.
A recomendação dos especialistas é clara: diálogo e formalização prévia protegem tanto o empregado quanto o empregador. A ausência de uma regra única obriga as partes a negociarem soluções práticas para evitar conflitos.
Depois do Japão, as oitavas de final ocorrem no domingo (5 de julho), às 17h. As quartas serão no sábado (11), às 18h. A semifinal, porém, está marcada para uma quarta-feira (15 de julho), às 16h, novamente em horário comercial. A decisão e a disputa de terceiro lugar caem no fim de semana.
