A disputa pela Presidência da República segue sem definição clara a dez dias do segundo turno. Pesquisa Datafolha mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 49%.
Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, o cenário é considerado de empate técnico.
A nova rodada também aponta redução da vantagem de Flávio. Na pesquisa anterior, o candidato do PL tinha 52% dos votos válidos, enquanto Lula aparecia com 48%. A distância entre os dois, que era de quatro pontos, passou para dois.
Nos votos totais, Flávio registra 47% e Lula, 45%. Outros 6% afirmam que pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 2% ainda não escolheram um candidato.
Na rodada anterior, Flávio aparecia com 49% dos votos totais. Lula já registrava 45%.
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 14 de outubro, com 2.520 eleitores de 153 municípios. A pesquisa, encomendada pela Folha, está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-00466/2026.
Eleitorado permanece dividido por renda, região e religião
Os recortes da pesquisa mostram diferenças importantes entre os grupos que sustentam as candidaturas de Flávio e Lula.
O candidato do PL tem melhor desempenho no Sudeste, onde aparece com 51%, contra 41% do petista. No Sul, a distância é maior: 57% para Flávio e 35% para Lula.
Entre os eleitores que recebem de dois a cinco salários mínimos, Flávio marca 55%, enquanto o presidente tem 40%.
O senador também mantém vantagem entre os evangélicos, com 62% das intenções de voto, diante de 29% de Lula. Apesar da liderança, Flávio apresentou oscilação negativa nesse segmento em comparação com o levantamento anterior.
Lula, por outro lado, mantém vantagem entre os eleitores de menor renda. Nesse grupo, registra 53%, contra 38% do adversário.
O presidente também aparece à frente entre os católicos, com 52% a 42%, e entre os eleitores com menor escolaridade, por 56% a 36%.
O Nordeste continua sendo o principal reduto eleitoral do petista. Na região, Lula marca 61%, enquanto Flávio tem 32%.
Há ainda diferença significativa por gênero. Entre as mulheres, Lula registra 49%, contra 40% de Flávio. Entre os homens, o cenário se inverte: o candidato do PL tem 52%, diante de 40% do presidente.
Campanhas entram na reta final
Com a eleição marcada para 25 de outubro, as duas campanhas intensificaram as ações para conquistar votos e reduzir a abstenção.
Lula ampliou a realização de atos públicos e passou a destacar medidas adotadas pelo governo federal durante o segundo turno. Entre os temas explorados pela campanha está a aprovação da proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1.
A votação da medida no Senado ocorreu na quarta-feira (14), mesma data em que o Datafolha concluiu a coleta de entrevistas. Por esse motivo, um eventual impacto eleitoral da proposta poderá aparecer apenas em pesquisas posteriores.
Já Flávio Bolsonaro tem utilizado o resultado do primeiro turno para reforçar a campanha. O senador terminou a primeira etapa da eleição com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
O candidato do PL também avançou na busca por apoios políticos e colocou no centro da campanha propostas relacionadas ao Judiciário, mudanças constitucionais e redução da maioridade penal.
No debate sobre a escala 6×1, Flávio declarou apoio à proposta durante o segundo turno, depois de ter adotado posição diferente anteriormente.
Flávio e Lula devem participar no domingo (18), na Band, do primeiro confronto direto entre os dois candidatos nesta etapa da eleição.
A mobilização de eleitores que não compareceram às urnas também deverá ser decisiva. No primeiro turno, a abstenção chegou a 33,4 milhões de pessoas, enquanto a diferença entre os dois candidatos ficou em aproximadamente 2,2 milhões de votos.
