Caiado é candidato a governador em 2030.
A declaração dada por Zé Délio, presidente da Associação Goiana dos Municípios e prefeito de Hidrolândia, foi ouvida com atenção por governistas atentos ao movimento político do Estado.
Zé Délio falou isso na quarta, 14, em entrevista à rádio Bandeirantes Goiânia.
Por ter sido coordenador de campanha de Gracinha Caiado ao Senado, a declaração de Zé Délio foi lida como um aviso, uma mensagem de Caiado aos governistas. Demarcação de território político.
Ninguém vai contestar ou reclamar da possível candidatura. Quem ousaria jogar água nessa fogueira e correr o risco de desagradar Caiado e o governador Daniel Vilela (MDB)?
A notícia impacta em vários sentidos. Se Caiado é candidato em 2030, significa que o governo tem nome definido desde já e não se fala mais nisso.
Ou fala-se, mas engolindo seco o decreto político como sentença irrecorrível.
Daniel tem com Caiado compromisso firmado na lealdade e na retribuição ao que recebeu de ajuda na reeleição, este ano. Como sair desse destino traçado?
Se é que Daniel quer sair. Se é que isso já não está combinado. Ou previsto. Precificado no custo, exatamente, de sua vitória no 1º turno.
Caiado candidato imediatamente deixa Daniel Vilela sem margem de manobra para preparar um sucessor alinhado ao seu projeto futuro. Um nome novo. Em 2030, Caiado terá 81 anos.
A não ser que Daniel resolva contrariar o ex-governador e a senadora eleita Gracinha Caiado.
Não contrariando nem um, nem outro, o jeito para Daniel é pensar na sua provável candidatura ao Senado.
Em sentido amplo, dentro da base governista a declaração de Zé Délio, ou aviso prévio, soa categórico: não há espaço para mais ninguém da base governista sonhar com a cabeça de chapa em 2030.
Onde tem vaga de candidato a governador, então?
Na oposição.
Como oposição é algo que (ainda) não existe em Goiás, uma candidatura nessa via terá de ser forjada na luta das articulações e confabulações.
E nenhum espanto se ela florescer dentro do governo. Natural, inclusive. O governo está inchado de apoiadores e grupos. Não cabe todo mundo. As divergências virão. Das divergências nascem os conflitos, que crescem e viram oposição.
Oposição, portanto, construída na disputa por espaços dentro e fora do governo ao longo do tempo, até 2030, passando pela eleição e reeleição de prefeitos em 2028.
Em Goiânia, tem um prefeito que calcula reeleger-se e se credenciar para tentar o governo.
Sandro Mabel mira 2030.
Até onde Mabel vai com seu projeto é uma incógnita, inclusive se vai contra Caiado, caso seja necessário para realizar seu sonho.
Uma questão em aberto. Embora quem o conheça saiba que ele não é de desistir do que põe na cabeça. Pelo contrário. Mabel é de luta.
Nada impede que surjam interessados em disputar com Caiado na base do novo contra o velho Caiado, em 2030.
Como aconteceu em 1998. Como aconteceu em 2026, com Daniel falando de futuro e Marconi Perillo (PSDB), de seu passado (legado).
Seja quem for encarar as urnas em 2030, o desafio é simples: enfrentar Ronaldo Caiado desde já, numa elástica pré-campanha.
Porque Caiado já está em campanha, sem precisar nem mesmo admitir. Seu nome paira no ar como oxigênio inevitável.
Enfrentar Caiado não exatamente na força. Na estratégia. Na esperteza. Na costura dos elementos políticos dos bastidores do poder.
Enfrentar também, talvez, Daniel Vilela. Daniel pode ter que reagir para não desagradar. Ou porque tem projeto e nome diferentes. Ou porque não abre mão de controlar o jogo.
Coloque-se nessa conta de candidaturas possíveis na oposição outro ex-governador: Marconi Perillo.
Muitos o dão como em fim de carreira. Comemoram sua derrota, em quarto lugar, atrás de Daniel, Wilder Morais (PL) e do petista Luis César Bueno.
Porém, aos 63 anos hoje e 67 em 2030, Marconi não se dá por vencido. O que faz dele um nome no tabuleiro.
Entre os tucanos, a derrota deste ano é vista não como fim de carreira, e sim como início do caminho de volta para a política goiana. Gostem ou não, ele está presente e avisou que quer jogo.
Esses tucanos otimistas calculam que Marconi pagou por seus pecados na eleição deste ano. Perdeu, porém ganhou oportunidade.
Sonhar é direito de todos. Candidatar-se, também. Eleger-se é com o povo.
Caiado é o primeiro nome a surgir para 2030. Abre a pré-campanha antecipada, ainda que o discurso seja de negação, do tipo: falar de candidatura, e candidatura a governador em 2030, numa hora dessas?
Caiado pode não falar. Daniel pode se desviar. Eles não falam. Tá todo mundo falando. Os caiadistas não falam em outra coisa. Com sede de vingança disfarçada. Com saudades do poder.
Ilusão pensar o contrário. E ilusão política vem a ser estratégia eleitoral.
Zé Délio, na rádio Bandeirantes Goiânia, deu a largada para a eleição de governador que só vai acontecer daqui quatro anos.
É Caiado 2030. E aí, vai encarar?
