O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) viajou em janeiro de 2025 em um jatinho executivo que tinha entre seus cotistas uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A viagem, realizada entre Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, e Brasília, também contou com a presença da mulher do parlamentar, das duas filhas do casal e do advogado e empresário Willer Tomaz.
As informações foram divulgadas inicialmente pela revista Piauí e repercutiram em outros veículos de imprensa. A aeronave utilizada era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR, operado pela empresa Prime You, da qual Vorcaro foi sócio até setembro de 2025.
O advogado Willer Tomaz afirmou que o trecho foi solicitado e pago por ele, por meio das horas de utilização correspondentes à sua participação na aeronave. Segundo sua versão, os passageiros foram convidados e não houve cobrança ou contrapartida.
Como era a estrutura societária do avião
A aeronave pertencia formalmente à empresa Fraction 024, cujo capital era dividido em três partes iguais. Uma das cotas estava vinculada a Willer Tomaz, outra ao empresário Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira foi adquirida pela Prime You no fim de 2024.
Na época da viagem de Flávio Bolsonaro, portanto, a empresa ligada a Vorcaro detinha participação no avião. O ex-banqueiro permaneceu como sócio da Prime You até setembro de 2025.
A aeronave também foi utilizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e pela esposa dele, Viviane Barci de Moraes, em agosto de 2025, conforme reportagens publicadas à época.
O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz
Após a divulgação das informações, Flávio Bolsonaro comentou o caso nas redes sociais e ironizou a associação da aeronave a Vorcaro.
“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu o senador.
Em manifestação pública, Willer Tomaz afirmou que o voo não teve relação com Daniel Vorcaro. O advogado também declarou que desconhecia a participação do ex-banqueiro na estrutura societária relacionada à aeronave e que passou a contestar a relação contratual após tomar conhecimento da situação, em abril de 2026.
Tomaz negou conhecer Vorcaro ou ter realizado negócios com ele. Segundo sua assessoria, a participação do advogado na empresa responsável pelo avião lhe garantia horas de utilização, que poderiam ser oferecidas a amigos quando houvesse assentos disponíveis.
Viagem ocorreu durante negociações para filme sobre Jair Bolsonaro
O voo aconteceu em um período no qual Flávio Bolsonaro mantinha tratativas para captar recursos destinados ao filme Dark Horse, produção sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Reportagens anteriores apontaram que Daniel Vorcaro negociou aportes financeiros para o projeto e que Flávio atuou diretamente nas conversas com o ex-banqueiro. O financiamento do longa passou a ser objeto de investigação da Polícia Federal.
A coincidência temporal entre a viagem e as negociações financeiras ampliou o interesse sobre a relação entre o senador, o empresário e as empresas envolvidas. A existência de participação societária de uma empresa ligada a Vorcaro na aeronave, contudo, não demonstra, por si só, que o ex-banqueiro tenha pago ou autorizado aquele voo específico.
